Alerta: senador vai propor CPI da Vaza Toga - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Artigos Exclusivos

Alerta: senador vai propor CPI da Vaza Toga

Fotográfo que flagou Alexandre de Moraes dando dedo é demitido do Estadão
Reprodução/Alex Silva

Compartilhe em

Foto do autor

Por Claudio Dantas

Investigação pretende expor a atuação ilegal de gabinete paralelo com servidores e funcionários do TSE e do STF

O senador Esperidião Amim vai propor uma CPI para investigar atos de Alexandre de Moraes que configuram abuso de autoridade, com base nas evidências da Vaza Toga. O escândalo, revelado em diferentes reportagens, mostra a criação de um sistema paralelo de perseguição política via Judiciário.

✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp

A iniciativa não pretende investigar decisões judiciais — o que seria inconstitucional –, mas resoluções e atos administrativos que aparelharam de forma ilegal o STF e o TSE. Trocas de mensagens, documentos internos e depoimentos de ex-servidores compõe um cenário avassalador para Moraes.

Mostram que o ministro, por diversas vezes, burlou o devido processo legal para produzir provas para basear suas decisões. Moraes determinou a juízes auxiliares e servidores administrativos o acesso indevido a dados sensíveis de cidadãos que nem sequer eram formalmente investigados.

O gabinete paralelo atuava como um serviço clandestino de inteligência, fichando pessoas com base em suas preferências políticas. Como revelaram os jornalistas David Ágape e Eli Vieira, em reportagem publicada pela ONG de Michael Shellenberger, a força-tarefa ilegal de Mores produzia “certidões” secretas sobre o que manifestantes presos após o 8 de janeiro de 2023 postavam nas redes sociais.

Nesses documentos, ex-auxiliares do ministro coletavam publicações antigas — algumas de até cinco anos antes — e de outras pessoas para classificar os detidos de forma “positiva” ou “negativa”. Manifestações pró-Bolsonaro, uso de imagens da bandeira nacional, questionamentos às urnas eletrônicas e críticas a Lula eram usadas para traçar o perfil “antidemocrático”.

Rede secreta de Moraes usou TSE para produzir relatórios ilegais sobre presos do 8/1

Foi classificada como antidemocrática, por exemplo, a postagem feita pelo motorista de trator Claudiomiro da Rosa Soares, preso dentro do STF durante o 8 de janeiro. Ele compartilhou vídeo de outra usuária (Elisabete Rocha) mostrando o petista sendo vaiado no velório de Pelé, em 3 de janeiro de 2023, e a frase “esse é presidente de 60 milhões de votos”, com emojis de risadas.

Outra “certidão positiva” produzida classificou como antidemocrática uma única postagem do artesão Ademir da Silva, que continha apenas uma montagem com a frase “fazer cumprir a Constituição não é golpe!”, a foto da Constituição e do ex-deputado Ulysses Guimarães. O documento, assinado pelo ex-assessor Eduardo Tagliaferro, apontou “inconformismo com os resultados das eleições de 2022”.

TESTEMUNHA-CHAVE

Tagliaferro virou testemunha-chave dos abusos cometidos por Moraes e se refugiou na Itália, após virar alvo de inquérito aberto pelo próprio ministro por violação de sigilo funcional. A ele é atribuído o vazamento de mensagens de WhatsApp dos grupos clandestinos usados por assessores do ministro.

Em entrevistas recentes, ele diz que produziu um dossiê robusto com todas as evidências de violações cometidas por Moraes e seu gabinete paralelo e que pretende divulgá-lo em breve. Cópias já teriam sido entregues a autoridades nos Estados Unidos e nos EUA.

As acusações contra Moraes envolveriam controle direto e ilegal da investigação, inclusive pela chefia de gabinete; a produção dessas certidões secretas, com manipulação digital e ocultação de provas; a supressão integral de provas não acessíveis à defesa; prisões prolongadas de idosos, doentes e inocentes; bloqueios de redes sociais, perseguição a jornalistas e cidadãos; e a cooptação de agências de checagem, jornalistas e universidades.

Escreva seu e-mail para receber bastidores e notícias exclusivas

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

Publicidade