O senador Dr. Hiran, presidente da Comissão de Transparência, Governança, Fiscalização e Controle e Defesa do Consumidor do Senado, iniciou investigação sobre a gestão de Fabiano Silva nos Correios. Ele enviou ofícios com pedidos de documentos e informações a órgãos, como CGU, TCU, PGR e Polícia Federal.
Dentre os pedidos, estão cópia integral dos processos de fiscalização instaurados nos últimos cinco anos relativos à gestão administrativa da EBCT, bem como dos processos de fiscalização relativos:
a.1) à gestão do Postalis, no período compreendido entre 2011 e 2016, inclusive no que concerne às ações judiciais ajuizadas para reaver valores eventualmente desviados; a.2) aos aportes realizados nos últimos cinco anos pela EBCT no fundo “Brasil Sovereign II” e na empresa “Sete Brasil”; e a.3) à governança corporativa dos últimos cinco anos da EBCT e do Postalis, especificamente no que concerne à gestão de fundos de pensão e decisões financeiras de relevante materialidade.”.
Aos Correios, ele também solicitou cópia integral de todos os contratos “Infinitys” firmados nos últimos dez anos com integradores internacionais; relatórios de todas as auditorias internas realizadas pela EBCT a partir de 2023, e contratos de aluguel de todos os prédios da EBCT.”
E ainda
“o total de empréstimos bancários realizados entre janeiro de 2023 até maio de 2025, e quantos ainda estão vigentes após maio de 2025; total de linhas aéreas na rede postal noturna que operava no início de 2025 e quantitativo em funcionamento na atualidade; ocorrência, ou não, de pagamento extra aos carteiros motorizados de trinta por cento; montante financeiro de atrasos atuais de pagamento de fornecedores, Postal Saúde e Postalis; número de encomendas fora do prazo de entrega; razão pela qual as transportadoras não receberam as respectivas faturas; receitas com encomendas internacionais; medidas adotadas pelas auditorias dos Conselhos de Administração e Fiscalização, diante da situação financeira da EBCT; ofícios da presidência da EBCT com autorização para o transporte de baterias de lítio no modal aéreo; e atos normativos internos da EBCT que disciplinem a identificação e a mitigação de possíveis conflitos de interesse relativos a decisões pertinentes ao Postalis”.
Para PF e PGR, Hiran pediu cópia integral de todos os inquéritos relacionados aos Correios. Dias atrás, a comissão aprovou requerimento da senadora Damares Alves (Republicanos-DF), com relatoria do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), para a abertura de procedimento de fiscalização dos Correios, que acumula prejuízo superior a R$ 7 bilhões em apenas três anos da gestão Lula.
Flávio incluiu as convocações dos ministros das Comunicações, Frederico Siqueira; da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck; e da Fazenda, Fernando Haddad (PT). A fiscalização será feita com apoio do Tribunal de Contas da União.
Após atraso de senador petista, oposição aprova investigação dos Correios
Risco de colapso financeiro
Os Correios vivem sua pior crise financeira em anos. A estatal já admite a possibilidade de não ter dinheiro em caixa para pagar salários e despesas básicas até o fim de 2025. Caso isso ocorra, a saída será recorrer ao Tesouro Nacional, o que a tornaria empresa dependente e obrigaria o governo a incluir até R$ 20 bilhões no Orçamento Federal.
Simulações internas indicam que o problema de caixa pode surgir já no próximo mês. Para evitar o colapso, a direção da companhia defende um aporte da União entre R$ 5 bilhões e R$ 8,7 bilhões. Mesmo assim, integrantes do governo reconhecem, reservadamente, que a situação é um “beco sem saída”.
O rombo financeiro se agravou em 2025. No primeiro semestre, a estatal perdeu R$ 4,37 bilhões, três vezes mais que em 2024. Apenas no segundo trimestre, o prejuízo chegou a R$ 2,64 bilhões. Parte do resultado negativo decorre de decisões judiciais e do acordo para cobrir déficits do Postalis, fundo de pensão da categoria.
A crise levou o presidente da empresa, Fabiano Silva dos Santos, a colocar o cargo à disposição em julho. O governo, no entanto, ainda não encontrou substituto. O cargo é alvo de disputas políticas entre União Brasil e PT, enquanto não há garantia de socorro financeiro.
