Ministros de Lula, como Fernando Haddad, serão convocados
A oposição conseguiu aprovar nesta quarta-feira (3) no Senado Federal a instalação de uma investigação dos Correios, em meio ao rombo bilionário da estatal. A votação ocorreu na Comissão de Transparência, Governança, Fiscalização e Controle e Defesa do Consumidor (CTFC) e foi relatada pelo senador Flávio Bolsonaro (RJ). O episódio que marcou a sessão foi a chegada atrasada do senador Rogério Carvalho (SE). Ofegante, ele ainda tentou barrar a votação.
“Eu vim correndo. Vossa excelência abriu sumariamente e botou em votação, sem que a gente tivesse o direito de se manifestar, numa manobra clara (…) de atropelar o processo para não ter debate”, reclamou.
Apenas no primeiro trimestre de 2025, a estatal registrou prejuízo de R$ 4,3 bilhões, mais que o triplo do resultado negativo do mesmo período do ano passado, que foi de R$ 1,35 bilhão.
Carvalho acusou a comissão de extrapolar suas atribuições e prometeu recorrer, apesar de não ter chegado no horário marcado para início da sessão.
“Eu vou encaminhar uma questão de ordem à Mesa Diretora do Senado levantando todas as inconsistências que têm nessa proposta de fiscalização, porque extrapola, entra em empresas privadas, que não são competência desta comissão. Não é uma comissão parlamentar de inquérito (…). E para cada convocação tem que ter um requerimento específico”, afirmou.
O relator respondeu de imediato ao questionamento de Rogério Carvalho: “O direito não assiste aos que dormem”, disse Flávio Bolsonaro, em referência à demora do petista.
Apesar do embate, a Proposta de Fiscalização e Controle foi aprovada. O plano de trabalho inclui dezenas de medidas, como pedidos de documentos, compartilhamento de inquéritos da Polícia Federal e convocações de ministros do governo Lula. Entre eles, Fernando Haddad (Fazenda), Frederico Siqueira (Comunicações) e Esther Dweck (Gestão e Inovação em Serviços Públicos).
A investigação será conduzida em conjunto pela CTFC e pelo Tribunal de Contas da União (TCU).
