A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) intensificou as articulações políticas e jurídicas para redefinir a eleição de sua presidência em meio a um cenário de incerteza institucional. A expectativa gira em torno do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), marcado para 8 de abril, que deve estabelecer as regras para a escolha do governador em mandato-tampão e impacta diretamente a disputa interna da Casa.
Nos bastidores, segundo o jornal O Globo, a estratégia já está em curso: a Procuradoria da Alerj prepara um recurso com o objetivo de viabilizar a realização de uma nova eleição antes da homologação da retotalização dos votos pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), prevista para o dia 14. A avaliação entre deputados é de que antecipar o pleito pode ser decisivo para consolidar uma solução política antes do desfecho eleitoral.
Cerca de 40 parlamentares alinhados a Douglas Ruas — que chegou a ser eleito presidente da Casa, mas teve a vitória anulada — participaram de reuniões com a equipe jurídica para discutir caminhos que permitam sustentar ou refazer a eleição. A leitura predominante é de que será necessário agir em duas frentes: no Judiciário e no campo político.
O presidente em exercício, Guilherme Delaroli, adotou uma postura de cautela desde a suspensão do pleito. Internamente, a orientação é evitar novos atritos institucionais e cumprir as decisões judiciais enquanto se constrói uma saída juridicamente segura.
A crise teve origem na decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que cassou o mandato do deputado Rodrigo Bacellar, o que levou à necessidade de recontagem dos votos e alterou o equilíbrio de forças dentro da Assembleia.
O recurso em elaboração pela Alerj deve questionar pontos centrais da suspensão da eleição, incluindo a competência da decisão liminar e o fato de o comunicado do TSE tratar especificamente da perda de mandato de Bacellar, sem determinar a paralisação do processo legislativo interno.
Paralelamente, a disputa ganhou novos capítulos na Justiça. O Partido Democrático Trabalhista (PDT) acionou o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) para defender que a eleição seja feita por voto secreto, sob o argumento de que há pressão política sobre parlamentares.
Já o Partido Social Democrático (PSD) tenta impedir qualquer nova votação antes da conclusão da retotalização, alegando que a definição da composição da Casa é condição obrigatória para o pleito.
A suspensão da eleição que havia colocado Ruas no comando da Alerj, ainda que por poucas horas, foi determinada pela desembargadora Suely Lopes Magalhães, que entendeu que o processo deveria aguardar a atualização oficial dos resultados eleitorais.
O impasse ultrapassa os limites do Legislativo e afeta diretamente o comando do estado. Sem vice-governador, após a saída de Thiago Pampolha para o Tribunal de Contas, o presidente da Alerj é o primeiro na linha sucessória. Atualmente, o governo do Rio está sob gestão interina do presidente do TJ-RJ, Ricardo Couto.
