Alcolumbre nega aumento na conta de luz e acusa governo de manipular narrativa - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Alcolumbre nega aumento na conta de luz e acusa governo de manipular narrativa

Alcolumbre diz que PL da Anistia 'não é o assunto dos brasileiros'
Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Compartilhe em

Foto do autor

Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

O presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União-AP), reagiu às acusações de que o Parlamento seria responsável por um eventual aumento na conta de luz dos brasileiros. A crítica vem após a derrubada de vetos presidenciais ao marco legal das eólicas offshore (Lei 15.097/2025), em sessão no dia 17 de junho.

✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp

Alcolumbre afirmou que parte da imprensa tem distorcido os fatos e divulgado estimativas superdimensionadas. “Repudio com veemência os ataques levianos dirigidos ao Congresso”, declarou em plenário, nesta quarta-feira (25). Segundo ele, não há base técnica para afirmar que a derrubada dos vetos elevará as tarifas de energia.

Dos 24 dispositivos vetados pelo presidente Lula, apenas oito foram restabelecidos. Davi disse que esses dispositivos envolvem medidas voltadas à estabilidade regulatória e à preservação de investimentos, como a contratação de usinas de até 50 MW, hidrogênio líquido a partir do etanol e prorrogação de contratos do Proinfa.

O Congresso não criou novos custos“, afirmou.

A derrubada dos vetos foi um dos estopins para o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), pautar o projeto que anula o aumento do IOF decretado pelo governo. Parlamentares consideram que o Planalto tenta transferir ao Congresso o desgaste pelo aumento da tarifa de energia, enquanto apresenta Lula como responsável pela gratuidade nas contas para 60 milhões de pessoas.

Na semana passada, o Congresso manteve obrigações de contratação de usinas, o que, segundo o governo, geraria um impacto de R$ 35 bilhões por ano nas contas de luz durante 15 anos. Porém, o próprio PT contribuiu para a derrubada dos vetos: 63 deputados e sete senadores da legenda votaram a favor da medida.

O governo agora cogita editar nova medida provisória para retomar os vetos, mas a proposta enfrenta resistência. Hugo Motta defende o uso da MP 1.300, sobre tarifa social, para revisar os excessos e afirma que o caminho é o próprio Congresso, não um decreto unilateral do Executivo.

Parlamentares também lembram que outra MP, em tramitação, prevê arrecadação extra de R$ 20 bilhões com a liberação para leilão de excedente de óleo e gás. O entendimento é que a medida poderia compensar a derrubada do aumento do IOF.

O líder do MDB, Isnaldo Bulhões (AL), resumiu: “Mais arrecadação com menos impostos”.

Enquanto isso, o governo tenta manter o decreto do IOF e já admite novas ações. Gleisi Hoffmann, ministra das Relações Institucionais, afirmou que o novo decreto “traz ajustes necessários” dentro do arcabouço fiscal.

Deputados, no entanto, avaliam que o governo não apresenta medidas concretas de contenção de gastos. “Parece-me que se o governo deseja manter-se inerte, o Congresso deverá tomar a iniciativa de fazê-lo”, disse o deputado Cláudio Cajado (PP-BA).

Escreva seu e-mail para receber bastidores e notícias exclusivas

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

Publicidade