Presidente do Senado usou estratégia para garantir presidência da Casa cinco anos atrás
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), criticou duramente a ocupação da mesa diretora por senadores da oposição, que protestam contra a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro. A ação, segundo ele, visa “desestabilizar” o funcionamento do Parlamento. Alcolumbre declarou: “Não aceitarei intimidações nem tentativas de constrangimento à Presidência do Senado”.
A fala foi feita nesta quarta-feira (6), em meio à mobilização de parlamentares que se revezam na ocupação da mesa desde terça (5), exigindo a votação do projeto de anistia aos condenados dos atos de 8 de janeiro de 2023 e o andamento de pedidos de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF.
Apesar da postura crítica, Alcolumbre adotou tática semelhante em 2019, quando também ocupou a cadeira da presidência do Senado por sete horas ininterruptas para garantir o controle da eleição interna. Na ocasião, desafiou a orientação da Secretaria-Geral da Mesa, que previa a condução da sessão pelo senador mais velho, José Maranhão (MDB-PB), e assumiu os trabalhos em benefício próprio.
A estratégia, à época, contou com apoio do então presidente Jair Bolsonaro e seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O movimento causou reação no STF e levou o ministro Dias Toffoli a determinar votação secreta. A primeira tentativa foi anulada após contabilizar um voto a mais que o número de senadores. Na segunda rodada, Renan Calheiros (MDB-AL) retirou a candidatura, e Alcolumbre foi eleito.
Nesta quarta, durante reunião com lideranças, Alcolumbre voltou a afirmar que não pautará o impeachment de Moraes. O senador Cid Gomes (PSB-CE), presente no encontro, declarou: “Não há hipótese de que ele coloque para votar essa matéria”.
Randolfe Rodrigues (PT-AP), líder do governo no Congresso, também reforçou o posicionamento: “O presidente Davi deixou claro que o Senado não vai se curvar à chantagem”.
O senador Ciro Nogueira (PP-PI) concordou com a decisão, afirmando que um processo de impeachment só deve ser aberto se houver número suficiente para aprovação. “Sinceramente, só entro em impeachment quando puder acontecer, como foi o caso da Dilma. O Congresso não tem 54 senadores para aprovar um impeachment”, disse.
Alcolumbre marcou para esta quinta-feira (7) uma sessão remota para votar a medida provisória que isenta do Imposto de Renda os contribuintes que ganham até dois salários mínimos. A MP vence na próxima semana. A decisão tenta contornar a obstrução física no plenário.
A oposição segue cobrando que as pautas ligadas à anistia e ao STF avancem no Congresso. A mobilização é liderada por parlamentares do PL e aliados de Bolsonaro.
