AGU contesta decisão do STF que encerrou ações contra Campos Neto
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

AGU contesta decisão do STF que encerrou ações contra Campos Neto

CAMPOS NETO
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

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Por Redação

AGU alega que condutas, mesmo sem crime, podem gerar puniçõe

A Advocacia-Geral da União (AGU) pediu a reversão da decisão da Segunda Turma do STF que manteve encerrados três procedimentos da Comissão de Ética Pública (CEP) contra o ex-presidente do Banco Central (BC) Roberto Campos Neto.

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O ministro Dias Toffoli havia trancado as ações em setembro de 2024. A AGU recorreu, mas o pedido foi rejeitado por unanimidade pela Turma da Corte no início de novembro.

No novo recurso, apresentado na quarta (18), a AGU afirma que o colegiado apenas reafirmou o entendimento de Toffoli sem analisar os argumentos da União para reabrir os casos.

Os procedimentos tratavam de supostos “conflitos de interesses” e “benefícios ilícitos” atribuídos a Campos Neto por manter uma offshore no Panamá enquanto presidia o BC.

A offshore de Campos Neto foi revelada em 2021 pelo Pandora Papers, investigação do ICIJ que também expôs uma offshore do ex-ministro da Economia Paulo Guedes. Ele criou a Cor Assets em 2004, com capital de US$ 1,09 milhão, e permaneceu no controle da empresa ao assumir o BC em 2019.

A offshore foi encerrada em outubro de 2020. Campos Neto afirma que a empresa foi declarada e que “não houve ilegalidade”.

A AGU argumenta que “há fatos que podem não se constituir infrações penais, mas serem consideradas infrações disciplinares ou, ainda, atitudes anti-éticas — como é o caso dos autos — passíveis de responsabilização pelas respectivas esferas”.

“Vale dizer, ainda que determinadas condutas não sejam consideradas crimes, elas ainda podem repercutir em outras searas, daí a relevância da independência entre as instâncias”.

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