Paulo Bueno pediu que ministros não criem uma “versão brasileira do caso Dreyfus”
O advogado Paulo Bueno, que atua na defesa de Jair Bolsonaro, comparou agora há pouco (3) o julgamento da Primeira Turma do STF a um “tribunal soviético”. Ele criticou a forma como está sendo interpretada a acusação de “abolição violenta do Estado democrático de direito”.
Bueno disse que a situação lembra o caso de um cidadão russo condenado pelo crime de “atentar contra o Estado soviético” apenas por urinar em uma parede do Kremlin.
O advogado também pediu que os ministros não transformem o processo contra Bolsonaro em uma “versão brasileira do caso Dreyfus”, em referência ao militar francês acusado injustamente de espionagem em 1894, num episódio marcado pelo antissemitismo.
“Atos posteriores do presidente foram totalmente voltados à desestimular apoiadores e eleitores a qualquer forma de não reconhecimento da vitória eleitoral do presidente Lula”, afirmou Bueno em sua sustentação oral.
A Procuradoria-Geral da República acusa Bolsonaro de liderar um grupo que supostamente planejava um golpe de Estado para impedir a posse de Lula. O julgamento segue na Primeira Turma do Supremo.
O que é o caso Dreyfus
O julgamento de Alfred Dreyfus (1859-1935), militar francês julgado e condenado a prisão perpétua em 1894 por traição. Depois, descobriu-se que outro militar, Ferdinand Walsin-Esterhazy, e não Dreyfus, é quem estava envolvido com espionagem contra a França. Dreyfus foi inocentado em 1906.
