Vilardi afirma no STF que ex-ajudante de ordens mentiu reiteradas vezes e rompeu colaboração
O advogado Celso Vilardi, que representa Jair Bolsonaro, afirmou agora há pouco (03) que o tenente-coronel Mauro Cid “não é confiável” e que sua delação deveria ser anulada. A fala ocorreu durante sustentação oral no julgamento da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal.
Ao citar supostas conversas atribuídas a Cid no Instagram, Vilardi disse que o ex-ajudante de ordens está “desmoralizado porque foi pego na mentira pela enésima vez”.
“A senha e o perfil estão colocados no celular dele que foi apreendido lá atrás, não é de agora. Então, a prova que ele usou isso, ela é absolutamente indiscutível (…). Agora, o que mostra isso? Que esse homem não é confiável, que esse homem não é confiável”, declarou.
O advogado também questionou a posição da Procuradoria-Geral da República sobre a colaboração de Cid.
“O que temos na verdade? Eu estou ouvindo, seja na imprensa, seja em todos os lugares o seguinte: Não, a prova independe do colaborador, a prova independe do colaborador (…). Agora que ele está desmoralizado porque foi pego na mentira pela enésima vez (…), ele rompeu a delação formalmente, porque ele mentiu e ele colocou sua voluntariedade em cheque”, disse.
Segundo Vilardi, o Ministério Público tenta validar uma “parcial falsidade” da delação.
“A delação da forma como está sendo proposta nas alegações finais do Ministério Público não é uma jabuticaba, é algo que não existe nem aqui, nem em nenhum lugar do mundo. Porque, na verdade, o que se pretende aqui é reconhecer uma parcial falsidade da delação e ainda assim fazer um aproveitamento dela diminuindo a pena”, afirmou.
A defesa sustenta que omissões e contradições reconhecidas pela PGR deveriam anular o acordo, e não mantê-lo com redução de benefícios.
Nas alegações finais, a PGR pediu que Cid não receba perdão judicial, como estava previsto, e que a redução da pena seja a mínima possível. O órgão afirmou que seus depoimentos foram “superficiais e pouco elucidativos”, mas admitiu que a colaboração ajudou a indicar caminhos. Ressaltou ainda que as falhas podem prejudicar apenas o próprio Cid, “sem nada afetar o acervo probatório desta ação penal”.
Esta é a última oportunidade para a defesa de Bolsonaro apresentar argumentos pela absolvição ou pela redução de pena. Após a manifestação dos advogados, os ministros do STF iniciam os votos. Ainda estão previstas as falas das defesas dos ex-ministros da Defesa Paulo Sérgio Nogueira e Walter Braga Netto.
O voto do relator Alexandre de Moraes e dos demais ministros deve ocorrer na próxima sessão, marcada para terça-feira (9).
