"Ancorada no nada", diz André Marsiglia sobre prisão de Bolsonaro
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

“Ancorada no nada”, diz André Marsiglia sobre prisão de Bolsonaro

Moraes declara trânsito em julgado para Bolsonaro, Ramagem e Torres
Foto: SERGIO LIMA/AFP

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Por Redação

O especialista em Direito Constitucional completa e diz que Moraes nem mais “usa a criatividade”, prende porque quer”

O jurista André Marsiglia Santos, especialista em Liberdades de Expressão e de Imprensa, criticou a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que manteve o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em prisão domiciliar e sob medidas cautelares, mesmo sem denúncia formal no processo.

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Marsiglia classificou a decisão como “prisão ilegal” e disse que o ex-presidente foi mantido sob restrição em um inquérito em que sequer foi incluído. Segundo ele, a situação fere princípios básicos do Direito e evidencia um padrão de arbitrariedade no Supremo.

Advogado e professor de Direito Constitucional André Marsiglia | Foto: Reprodução / Redes Sociais
Advogado e professor de Direito Constitucional André Marsiglia | Foto: Reprodução / Redes Sociais

“A prisão de Jair Bolsonaro havia sido determinada em inquérito que investiga Eduardo Bolsonaro. Após a prisão, Jair não foi denunciado, então todas as restrições — inclusive a prisão, deveriam ser revogadas”, destacou.

De acordo com Marsiglia, Moraes manteve as medidas com base em um suposto risco de fuga, mas sem apresentar fundamentação concreta que justificasse a decisão.

Para Marsiglia, nenhuma prisão pode ser decretada ou mantida fora de um procedimento formal, e o fato de Bolsonaro não ser parte do inquérito nem de um processo torna sua prisão “ancorada no nada”.

“Sem base legal, sem justa causa, sem processo. Moraes nem mais usa a criatividade: prende porque quer, sem inquérito, sem denúncia, sem procedimento. A ilegalidade virou a regra”, criticou.

A declaração de Marsiglia vai de encontro ao argumento da defesa de Bolsonaro, que também classificou as medidas impostas como “sem respaldo jurídico” e afirmou que o Supremo estaria promovendo um cerceamento político às vésperas do período eleitoral.

Bolsonaro foi condenado pelo Supremo por tentativa de golpe de Estado, entre outros crimes, a 27 anos e 3 meses de prisão, mas a sentença ainda não começou a ser executada, já que ainda há recursos pendentes de julgamento, ou seja, a ação ainda não transitou em julgado.

Os ministros ainda devem estabelecer qual será o regime inicial para o cumprimento de pena nesse caso.

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