Direita teme “Supremo de esquerda” após saída de Barroso - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Brasil

Direita teme “Supremo de esquerda” após saída de Barroso

O STF determinou que governo, Congresso e Judiciário promovam campanhas para ensinar a população a fiscalizar o uso das emendas parlamentares, ampliando a transparência e o controle social sobre o dinheiro público.
O STF determinou que governo, Congresso e Judiciário promovam campanhas para ensinar a população a fiscalizar o uso das emendas parlamentares, ampliando a transparência e o controle social sobre o dinheiro público. Foto: Reprodução

Compartilhe em

Foto do autor

Por Redação

Lideranças conservadoras veem risco de hegemonia progressista na Corte e fazem relação com campanha presidencial

A aposentadoria antecipada do ministro Luís Roberto reacende o debate sobre o poder do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de moldar o perfil da Corte e amplia a percepção, entre lideranças da direita, de que a sucessão no STF será um dos temas centrais da campanha de 2026.

✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp

“Vai entrar na discussão, e muito. Pelo equilíbrio do poder, é interessante que seja um presidente de direita para equilibrar um pouco”, afirmou o deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do PL na Câmara.

A preocupação é clara: com a saída de Barroso e a possibilidade de novas aposentadorias nos próximos anos, Luiz Fux em 2028 e Cármen Lúcia em 2029, Lula poderá consolidar uma maioria de ministros alinhados à esquerda.

“Se for mais dois ou três da esquerda, são mais 30 anos de problema para o Brasil”, disse Sóstenes. “Por isso a direita não pode deixar de ganhar, muito mais por causa do Supremo.”

Hoje, Lula já indicou quatro dos atuais onze ministros: Cármen Lúcia, Dias Toffoli, Cristiano Zanin e Flávio Dino. Dilma Rousseff nomeou Barroso, Fux e Fachin. Bolsonaro indicou Kassio Nunes Marques e André Mendonça; Michel Temer, Alexandre de Moraes; e Fernando Henrique Cardoso, Gilmar Mendes.

Entre os cotados para substituir Barroso estão o advogado-geral da União, Jorge Messias, considerado o nome mais forte, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e os ministros Bruno Dantas (TCU), Vinícius Carvalho (CGU), Elizabeth Rocha (STM) e Daniela Teixeira (STJ). Também é mencionado o desembargador Rogério Favreto, aliado histórico do PT.

Para a direita, a possível indicação de Messias, apelidado de “Bessias” durante o governo Dilma, representa mais do que uma nomeação técnica: é um movimento político calculado por Lula para tentar dialogar com o eleitorado evangélico, setor que historicamente resiste ao PT.

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) afirmou que o governo tenta criar uma narrativa de aproximação com o segmento religioso. “Ele não está sendo indicado por ser evangélico, mas por ser um jurista de esquerda, membro do grupo Prerrogativas e homem de confiança do presidente Lula. Ele é desconhecido do segmento evangélico”, disse.

Já o deputado Eli Borges (PL-TO) avalia que, embora Messias seja identificado com a esquerda, sua eventual escolha poderia diminuir resistências. “Com certeza é um avanço no relacionamento com o segmento evangélico. Melhor um Jorge Messias do que um perfil Flávio Dino”, afirmou.

O deputado Otoni de Paula (MDB-RJ) também vê na indicação um gesto político de Lula. “Se eu puder colaborar, vou fazer. O nome do Messias é altamente estratégico para o presidente Lula sinalizar à comunidade evangélica. Mesmo sendo de esquerda, ter um evangélico no STF equilibra um pouco mais a Corte”, disse.

Entre os que demonstraram entusiasmo, Fausto Pinato (PP-SP) classificou a escolha como “de alto impacto político e institucional”. “Uma excelente escolha. Além de ter preparo, se mostrou muito equilibrado. Sendo evangélico, ainda quebra a narrativa bolsonarista de que Lula é contra evangélicos. Seria uma tacada política de mestre”, avaliou.

Lideranças religiosas, porém, divergem sobre a leitura política da nomeação. O pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, afirmou que sua divergência com Messias é “puramente ideológica”.

A aposentadoria de Luís Roberto Barroso abre nova disputa pelo Supremo. Lula deve indicar o sucessor. A direita vê risco de hegemonia progressista e promete fazer do tema uma bandeira nas eleições de 2026.
Pastor Silas Malafaia afirma que sua divergência com Jorge Messias é “puramente ideológica”. Foto: Reprodução/YouTube/Silas Malafaia

“Eu não tenho nada pessoal contra ele, não vi até aqui nada moral contra a vida dele. A minha questão é ideológica só. Eu posso discordar, posso até criticar, mas é uma indicação de competência do presidente da República”, disse Silas.

Malafaia vê na movimentação do governo uma tentativa de aproximação política: “Talvez Lula, que está tão longe dos evangélicos, agora queira também fazer uma média com alguém que é aliado dele. Não há nada que desabone até aqui.”

O pastor lembrou ainda que não se opôs à indicação de Cristiano Zanin, ex-advogado de Lula, mas criticou o nome de Flávio Dino. “A minha crítica foi veemente ao Flávio Dino, que é um militante ideológico. Para mim, é perigoso se for da esquerda, da direita, de onde for”, destacou.

O líder da Igreja Sara Nossa Terra, pastor Robson Rodovalho, próximo à família Bolsonaro, também comentou o assunto. “Messias é um homem de caráter e honra”, afirmou. Para ele, o fato de o STF poder contar com um segundo ministro evangélico é “um passo importante”.

“Os evangélicos são em média 30% da população. Nessa proporção deveríamos ter quatro ministros do STF, e não apenas um. Todo ato de correção de injustiça é muito bem visto pela sociedade”, completou.

Escreva seu e-mail para receber bastidores e notícias exclusivas

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

Publicidade