Toda essa história envolvendo a condenação absurda de Léo Lins a 8 anos de prisão deve servir à reflexão da direita, pois a Lei Antipiada foi aprovada com apoio massivo de seus parlamentares que, hoje, se indignam com a juíza e se solidarizam com o humorista. Não adianta reagir às críticas com desculpas ou agressões; mais fácil admiti-lo e buscar sua correção o quanto antes.
Mas o que houve, afinal? Como justificar um projeto que é puro suco do wokismo impulsionado pela elite globalista que tomou o poder no Brasil? O texto original de Tia Eron (Republicanos/BA) e Bebeto (PSB/BA) era ruim desde o início, ao equiparar injúria racial a crime de racismo com agravamento de pena para atos cometidos em locais públicos, ensejando o chamado ‘dano moral coletivo’ tão em voga no Ministério Público.
Era óbvio que sua aplicação se estenderia às redes sociais e a atividades públicas em geral, recreativas, com shows de comédia, e não recreativas, como discursos políticos.
Ninguém está aqui a defender racistas, o que é ultrajante. Mas concordar com a agenda identitária que agrava crimes de opinião, enquanto relaxa todos os demais, é ingenuidade. Percebam que a mesma esquerda que critica a Justiça punitiva e defende o desencarceramento em massa de traficantes, estupradores e homicidas, quer ver na cadeia qualquer um que critique sua agenda identitária.
Bia Kicis entendeu isso logo de cara, subiu na tribuna, alertou! Mas poucos ouviram. Luiz Philippe e Paulo Martins ouviram. Eduardo Bolsonaro e Filipe Barros, não. Se estes e outros erraram, o que dizer dos senadores? Sim, porque o texto subiu ao Senado, ganhou versão ainda pior do petista Paulo Paim, que acrescentou a sanção “a ambientes recreativos”, e foi aprovado por unanimidade! Flávio Bolsonaro, Eduardo Girão, Plínio Valério…
Ao voltar para reanálise da Câmara dos Deputados, acreditem, o texto recebeu votação simbólica no plenário — aquela em que os parlamentares levantam as mãos para aprovar matérias já pacificadas. Ninguém da base governista sugeriu uma questão de ordem para uma nova votação nominal, nada. Entretanto, mesmo com o aval de sua própria base, Jair Bolsonaro não sancionou o texto, que acabou retirado da gaveta por Lula no 11o dia de seu terceiro mandato.
O estrago foi feito. A pergunta que faço é o que nossos nobres parlamentares, agora na oposição, farão para corrigi-lo.
