Republicanos da Câmara dos EUA acusam Brasil de censura
Brasília, Quinta, 09 de julho de 2026
Mundo

Republicanos da Câmara dos EUA acusam Brasil de censura

Página compartilhou documento que questiona decisões do Judiciário brasileiro

O deputado Jim Jones preside o Comitê Judiciário da Câmara dos EUA Foto: Divulgação

Compartilhe em

Foto do autor

Por Ândrea Malcher

Repórter especialista em Congresso Nacional

Os Republicanos que compõem o Comitê da Câmara dos Estados Unidos afirmaram, nesta quinta-feira (9), que o Brasil estaria praticando censura contra o discurso norte-americano em plataformas do país há anos e agora estaria mirando em empresas e consumidores do país. 

✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp

Em uma publicação no X (antigo Twitter), os conservadores do colegiado, presidido pelo deputado republicano Jim Jordan, divulgaram um documento judicial brasileiro. A decisão do juiz André Pasquale Rocco Scavone da 2ª Vara Cível de Diadema (SP) determina que Facebook, Instagram e Telegram identifiquem um usuário e suspendam a conta em até 48 horas, sob pena de multa diária de R$ 2 mil, limitada a R$ 30 mil. 

“O Brasil tem tentado censurar a liberdade de expressão americana em plataformas americanas há anos. Agora, está indo atrás de empresas e consumidores americanos também. Seja estrangeira ou no exterior, a Comissão não deixará esses ataques passarem em branco”, diz a postagem que acompanha o documento.

O magistrado pontua na decisão que a plataforma deve cumprir determinações da Justiça brasileira se querem operar no país, ainda que os dados sejam armazenados fora do país. A decisão se refere a uma ação movida por uma cidadã brasileira buscando identificar o administrador de uma conta nas redes sociais.

O relatório em que a decisão está inclusa detalha o bloqueio determinado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes da plataforma Rumble no Brasil quando o CEO da empresa, Chris Pavlovski, se recusou a cumprir ordens de remoção de conteúdo. 

Pavlovski escreveu a Moraes, em um dos documentos reproduzidos, que eles receberam “mais uma ordem ilegal e secreta ontem à noite, exigindo que cumpramos até amanhã à noite”. “Você não tem autoridade sobre o Rumble aqui nos EUA, a menos que passe pelo governo americano.” 

Moraes respondeu em decisão que Pavlovski “confunde liberdade de expressão com uma inexistente liberdade de agressão.” 

A Justiça dos Estados Unidos concedeu mais uma semana para que a Rumble e a Trump Media & Technology Group respondam ao pedido do governo brasileiro para extinguir a ação movida contra Moraes. A decisão foi proferida na terça-feira (7) pela juíza Mary Scriven, da Corte Federal da Flórida, que rejeitou a solicitação da Advocacia-Geral da União (AGU) para encerrar o processo de imediato.

O prazo inicial para a manifestação das empresas terminava na própria terça-feira. Com a decisão, elas terão mais sete dias para apresentar resposta à Corte.

No despacho, Scriven negou o pedido da Rumble e da Trump Media para alterar a ordem das manifestações processuais, mas acolheu o requerimento de prorrogação em caráter emergencial. A magistrada também afirmou que eventuais questionamentos sobre a legitimidade do Brasil para participar da ação poderão ser analisados quando as empresas apresentarem sua resposta ao pedido de extinção.

Escreva seu e-mail para receber bastidores e notícias exclusivas

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Publicidade