TCU mantém Jhonatan de Jesus na relatoria do caso Master
Brasília, Quinta, 04 de junho de 2026
Justiça

TCU mantém Jhonatan de Jesus na relatoria do caso Master

Tribunal rejeita por unanimidade pedido de suspeição contra ministro no processo sobre liquidação do Banco Master

TCU mantém Jhonatan de Jesus na relatoria do caso Master
Jhonatan de Jesus

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

O Tribunal de Contas da União (TCU) rejeitou o pedido para afastar o ministro Jhonatan de Jesus da relatoria do processo que analisa os procedimentos adotados pelo Banco Central na liquidação extrajudicial do Banco Master.

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A decisão foi tomada por unanimidade pelo plenário da Corte.

O pedido de suspeição foi apresentado por organizações da sociedade civil. Entre os argumentos apresentados estava a alegação de que o ministro teria um “padrinho político” com interesse no caso.

Também foram citadas suspeitas relacionadas à destinação de recursos para a construção de casas populares em Roraima, supostamente sem prestação de contas.

Outro ponto mencionado foi a apreensão de um veículo registrado em nome de familiar do ministro em operação da Polícia Federal relacionada ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

O relator do pedido no TCU, ministro Jorge Oliveira, afirmou que as alegações não apresentaram elementos que justificassem o afastamento.

“Os excipientes não explicaram de que modo essas questões – sobre as quais não foi juntada qualquer evidência nestes autos – impactam na condução [do processo]. Ou seja, não se desenvolveu o raciocínio atinente ao nexo das imputações com a atuação do ministro arguido no contexto do aludido processo, razão pela qual as alegações devem ser prontamente rejeitadas”, disse.

A petição também mencionou suposto “racismo institucional” e perseguição ao diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton Aquino dos Santos. Segundo o relator, a afirmação não procede.

“Não houve qualquer convocação, por parte do Ministro Jhonatan de Jesus ou deste Tribunal, direcionada ao aludido diretor do Banco Central do Brasil. Constam nos autos apenas a determinação de oitiva prévia da autarquia”, afirmou.

O relator concluiu que as acusações apresentadas não têm base concreta.

“Não há dúvidas, portanto, da absoluta fragilidade das imputações feitas na petição à peça 3, que claramente não têm o condão de conformar a suspeição do Ministro Jhonatan de Jesus, configurando meras conjecturas, ilações sem vínculo efetivo com a realidade e pretensões destituídas de qualquer elemento objetivo e demonstrável.”

Processo sobre o Banco Master

O processo analisado pelo TCU trata da liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada pelo Banco Central em novembro de 2025.

Em dezembro do mesmo ano, Jhonatan de Jesus determinou que o Banco Central apresentasse esclarecimentos sobre possíveis indícios de liquidação considerada “precipitada”.

O ministro também decretou sigilo sobre o processo.

No prazo estabelecido, o Banco Central apresentou informações sobre a fundamentação da decisão, alternativas consideradas, cronologia das tratativas e governança do procedimento.

Posteriormente, o ministro determinou inspeção em documentos do Banco Central. A decisão gerou reação da autoridade monetária, que argumentou que a medida deveria ser analisada pelo colegiado do TCU.

Após o recurso, as instituições chegaram a um acordo para a realização de um procedimento técnico de análise dos documentos.

Segundo apuração do g1, o parecer técnico preliminar do TCU não identificou irregularidades na condução do processo pelo Banco Central.

O relatório final do ministro relator ainda não foi apresentado e o caso não foi levado ao plenário da Corte.

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