Senado aprova regras de transparência para emendas Pix
Brasília, Terça, 21 de julho de 2026
Política

Senado aprova regras de transparência para emendas Pix

CCJ do Senado aprova regras rígidas para emendas Pix, com plano obrigatório, contas exclusivas e prestação anual de contas

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Proposta unifica exigências já impostas pelo STF e impõe plano de trabalho, contas exclusivas e rastreabilidade total

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou nesta quarta-feira o projeto que estabelece novas regras de transparência, controle e rastreabilidade para as emendas Pix. As transferências especiais, enviadas a estados e municípios sem convênios, tornaram-se o mecanismo mais opaco do Orçamento e foram alvo de decisões recentes do Supremo Tribunal Federal (STF). O texto transforma essas exigências em lei complementar e unifica normas hoje dispersas.

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A proposta seguirá para outras comissões antes da votação em plenário. Pelo texto aprovado, nenhuma transferência poderá ser liberada sem a apresentação de um plano de trabalho completo, com objeto detalhado, metas, cronograma, orçamento e classificação da despesa. Esses dados deverão ser registrados no sistema oficial de transferências, como o Transferegov.

O projeto determina que cada emenda tenha conta bancária exclusiva, aberta em instituição financeira oficial. A movimentação será registrada automaticamente no sistema, com extratos e informações disponíveis para controle público. Estados e municípios também deverão divulgar, em transparência ativa, os dados operacionais de execução.

A prestação de contas passa a ser obrigatória e anual. Até 30 de junho do ano seguinte, o ente deverá apresentar relatório com notas fiscais, registros contábeis, extratos, contratos e detalhamento físico e financeiro da execução. A ausência ou rejeição das contas bloqueará novos repasses e poderá levar à abertura de tomada de contas especial.

Todas as decisões legislativas relacionadas à distribuição das emendas deverão ser registradas em atas padronizadas, com identificação nominal de autores e votos. Cada etapa da execução orçamentária deverá mostrar a origem exata do recurso, com código da emenda e da indicação suplementar. O texto também prevê cooperação entre TCU, tribunais de contas estaduais e municipais.

O projeto inclui regras específicas para pequenos municípios. Cidades com menos de 65 mil habitantes não poderão ter repasses bloqueados por pendências no Cadastro Único de Convênios, salvo exigências constitucionais. A proposta define prioridades para calamidades e obras inacabadas e estabelece limites para o crescimento anual das emendas, de acordo com o parâmetro fiscal mais restritivo.

As principais regras aprovadas incluem:

• Plano de trabalho obrigatório.
• Conta bancária exclusiva para cada emenda.
• Prestação anual de contas com documentação completa.
• Transparência integral com atas, votos e autoria das indicações.
• Rastreabilidade da execução em todas as etapas do orçamento.
• Cooperação entre órgãos de controle.
• Prioridade para emergências e obras paradas.
• Limite de crescimento das emendas.
• Regra especial para municípios com menos de 65 mil habitantes.

As normas consolidam exigências já determinadas por decisões recentes do STF e reorganizam o mecanismo das transferências especiais após a suspensão temporária dos pagamentos em 2024.

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