Kassab cobra urgência contra devedores contumazes na Câmara
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Kassab cobra urgência contra devedores contumazes na Câmara

Gilberto Kassab cobra da Câmara votação de projeto contra devedores contumazes após esquema bilionário de fraudes
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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Presidente do PSD pressiona votação após fraudes bilionárias no setor de combustíveis

“É urgente que a Câmara dos Deputados avalie o projeto de lei contra os devedores contumazes”, escreveu Gilberto Kassab nesta quinta-feira (27). Segundo ele, a proposta já aprovada no Senado é uma ferramenta central para combater a fraude organizada e a concorrência desleal, proteger empresas que pagam impostos e recuperar bilhões que hoje deixam de financiar saúde, educação e segurança pública.

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Enquanto a Polícia Federal, o governo de São Paulo e a Receita Federal miram um esquema bilionário de fraudes envolvendo o Grupo Refit, o projeto segue travado na Câmara dos Deputados. As investigações apontam prejuízo estimado de R$ 26 bilhões para União, São Paulo e Rio de Janeiro.

A proposta busca enquadrar empresas classificadas como devedoras contumazes, que utilizam a inadimplência fiscal de forma recorrente e deliberada como estratégia de negócio.

Kassab afirmou que a medida “protege o empresário honesto, que paga seus impostos em dia, de ser engolido por quem frauda” e que o projeto combate o crime organizado ao atingir estruturas usadas para lavagem de dinheiro.

Segundo empresas do setor de combustíveis, a falta de votação mantém a vantagem competitiva de grupos que não recolhem tributos e vendem combustível a preços inferiores aos praticados por empresas regulares.

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirma que já aprovou a urgência da proposta, mas ainda não designou relator nem pautou o texto para votação.

Deputados, de forma reservada, apontam pressão de líderes do Centrão para barrar o avanço do projeto. Parlamentares citam a proximidade de figuras políticas com empresários do setor, incluindo o nome de Ricardo Magro, dono da Refit.

Levantamento do jornal Estadão indica maioria favorável à proposta no plenário, caso o texto seja pautado.

O modelo de inadimplência estruturada é recorrente no setor de combustíveis e foi alvo da Operação Carbono Oculto, conduzida pela Polícia Federal e pelo governo de São Paulo.

O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) apoia o projeto. Em sentido oposto, o governo do Rio de Janeiro tentou viabilizar a reabertura da Refit, bloqueada pela operação.

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