Dono da Refit e responsável pela antiga Refinaria de Manguinhos, o advogado acumula dívidas bilionárias
Um dos alvos da Operação Poço de Lobato, o empresário e advogado Ricardo Andrade Magro, 51, é o responsável pelo controle da antiga Refinaria de Manguinhos, hoje Grupo Refit. A companhia é investigada por fraudes bilionárias no setor de combustíveis, em ação deflagrada na manhã desta quinta-feira (27) pela Receita Federal, Polícia Civil e Ministério Público.
A Refit é apontada pela Receita Federal como o maior devedor contumaz do país, com mais de R$ 26 bilhões em tributos não pagos. A empresa também lidera dívidas de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) em São Paulo e figura entre as maiores devedoras no Estado do Rio de Janeiro.
Magro já foi alvo de várias investigações. Em 2016, foi preso durante a apuração de desvios nos fundos de pensão Petros, ligado à Petrobras, e Postalis, dos Correios, em operações financeiras envolvendo o Grupo Galileo, do qual era sócio. Posteriormente, acabou absolvido.
O empresário também já apareceu em investigações sobre suposto esquema dentro da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e é citado frequentemente em disputas tributárias e denúncias de evasão fiscal.
Menções em operações sobre o PCC
A Refit foi mencionada em documentos da Operação Carbono Oculto, que investiga a atuação do Primeiro Comando da Capital (PCC) no mercado de combustíveis. A refinaria não sofreu buscas, mas foi citada em um fluxo comercial ligado a postos controlados pela facção.
Magro nega qualquer ligação e afirma ser alvo de perseguição no setor.
A unidade de Manguinhos já foi interditada diversas vezes pela Agência Nacional do Petróleo. A ANP aponta suspeitas de que a empresa estaria importando combustíveis prontos, sem realizar o processo de refino. Desde setembro, decisões judiciais têm alternado períodos de fechamento e reabertura da planta.
A ação desta quinta-feira cumpriu 126 mandados de busca e apreensão em seis Estados e no Distrito Federal. A polícia chegou a arrombar a porta da sede da Refit em São Paulo, e endereços da família de Magro também foram vistoriados.
