Dantas quer lei que obrigue presos a sustentar famílias de vítimas: “Matou, vai ter que pagar”
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
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Dantas quer lei que obrigue presos a sustentar famílias de vítimas: “Matou, vai ter que pagar”

Dantas defende que a atual legislação estimula a impunidade e precisa ser revista
Dantas defende que a atual legislação estimula a impunidade e precisa ser revista. Foto: Republicação/ Youtube Claudio Dantas.

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Por Karoline Cavalcante

Jornalista e pós-graduanda em Marketing Político e Campanhas Eleitorais

Para ele, o Estado precisa adotar medidas mais rígidas para responsabilizar condenados

O apresentador Claudio Dantas defendeu, nesta quarta-feira (19), durante o programa Alive no YouTube, a criação de um projeto de lei que obrigue presos condenados por homicídio a trabalhar para sustentar as famílias das vítimas.

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A proposta, apresentada por ele como contribuição ao debate público, prevê que o detento seja obrigado a exercer atividades laborais dentro do sistema prisional até atingir valores equivalentes ao sustento que retirou da família ao cometer o crime.

“Tem que trabalhar. O preso tem que trabalhar. El Salvador é assim. Se ele matar o provedor de uma família, ele vai ter de sustentar a família”, disse.

“Quero tolerância zero com essa vagabundagem. Matou? Vai ter que pagar. Trabalhar o resto da vida para indenizar a família que deixou sem sustento”.

Na ocasião, Dantas também respondeu a argumentações de que sua sugestão poderia violar cláusulas constitucionais relacionadas à vedação do trabalho forçado.

“Eu vi muita gente falando assim: ‘a pena de trabalho forçado é cláusula pétrea da Constituição’. Só que vocês não sabem que a Lei de Execução Penal obriga o trabalho. Não é forçado, a pessoa está condenada. O trabalho tem caráter educativo, produtivo e remunerado”.

O apresentador destacou ainda que, em sua proposta, a remuneração do preso deixaria de ser benefício pessoal para se tornar uma forma de reparação direta.

“Ele não vai trabalhar para ganhar um dinheirinho para ele. Esse dinheiro vai para a família da vítima, em vez de ir para o bolso dele. De cara já complica para o lado dos criminosos”, disse.

Aprovação de emenda que proíbe voto de presos provisórios

A discussão no programa ocorreu um dia após a Câmara dos Deputados aprovar uma emenda do deputado Marcel van Hattem (Novo-RS), incluída no PL Antifacção, que proíbe o voto de presos provisórios. A medida impede o alistamento eleitoral desses detentos e cancela o título dos que já estavam cadastrados.

Van Hattem classificou como “regalia” o direito ao voto para presos sem condenação definitiva e afirmou que não faz sentido permitir que eles influenciem decisões políticas enquanto estão privados de liberdade. A emenda recebeu apenas a orientação contrária do governo Lula e do Psol.

Emenda que impede voto de presos provisórios é aprovada no PL Antifacção

Antes de sugerir sua proposta, Dantas argumentou que a participação política de presos provisórios é problemática devido à atuação de facções dentro do sistema carcerário.

Segundo ele, boa parte dos detentos provisórios é influenciada por organizações criminosas assim que entram no presídio.

“Eles vão votar em quem os caras disserem para votar, como acontece nas favelas”, afirmou.

O analista econômico Ary Alcântara ponderou que mudanças na legislação eleitoral exigem cuidado para evitar manipulações. Ele citou o risco de prisões decretadas perto das eleições afetarem artificialmente candidaturas.

“Um juiz inimigo de um deputado pode retirar o candidato do pleito. Se ele não pode votar, também não pode ser votado”, disse.

Custos de estadia

A cientista política Júlia Lucy afirmou que a oposição da esquerda à emenda demonstra falta de compromisso com o combate ao crime.

“É vergonhoso ver gente votando contra um projeto como esse. A bancada inteira contra. É a prova de que não querem combater o crime”, declarou.

Lucy também defendeu que presos arquem com os custos de sua estadia no sistema penal, citando o modelo em implementação em Santa Catarina, onde empresas podem instalar indústrias dentro dos presídios para empregar detentos.

Assista ao programa completo: 

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