Oposição aponta “blindagem” a aliados do governo e critica omissão do ex-presidente do INSS
Nesta quarta-feira (15), no programa Alive, apresentado por Cláudio Dantas no YouTube, o deputado Marcel van Hattem (Novo-RS) afirmou que o processo movido pelo PT contra parlamentares da CPMI do INSS é uma tentativa de intimidação e censura à oposição. A fala ocorre no momento em que cresce o alcance da investigação sobre fraudes no INSS, que já soma mais de 99 milhões de pessoas impactadas nas redes e mobiliza a base bolsonarista no Congresso.
Durante entrevista a Cláudio Dantas e Júlia Lucy, o deputado Marcel Van Hattem afirmou que o PT tenta calar os parlamentares que expõem o esquema de fraudes contra aposentados revelado pela CPMI do INSS.
“Por ter dito que um ladrão descondenado foi julgado por corrupção e lavagem de dinheiro, agora o PT está me processando. O presidente do partido assinou o processo. Eu soube pela imprensa”, disse Van Hattem.
Segundo ele, a ação judicial, que pede R$ 30 mil em indenização por danos morais, foi movida contra cinco integrantes da comissão — entre eles, os senadores Jorge Seif (PL-SC) e Izalci Lucas (PSDB-DF), além dos deputados Cabo Gilberto Silva (PL-PB), Gustavo Gayer (PL-GO) e o próprio Van Hattem.
“Isso é uma tentativa de censura da oposição. Querem nos calar porque está claro que, durante o governo Lula, essa roubalheira disparou”, afirmou.
O parlamentar associou o esquema ao SINDNAPI, entidade ligada ao irmão do presidente Lula, o Frei Chico, e defendeu a convocação dele à CPMI.
“Imagina se foram capazes de roubar aposentados, viúvas, pessoas acamadas. O modus operandi do PT voltou à cena do crime e não gosta sequer de ser denunciado por isso”, completou.
Van Hattem também mencionou o ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, acusado pela oposição de omissão e prevaricação.
“Durante a gestão dele, os roubos dispararam. Ele teve o desplante de dizer que tomava medidas para combater o roubo, mas ignorou a recomendação da CGU para suspender os descontos fraudulentos”, declarou.
O deputado destacou a decisão recente do ministro André Mendonça, do STF, que bloqueou R$ 390 milhões do SINDNAPI por suspeita de desvio. Segundo Van Hattem, o pedido de prisão de 21 envolvidos, incluindo Stefanutto e o presidente do sindicato, Milton Cavallo, já foi encaminhado pela comissão.
“O governo Lula quis proteger os corruptos e mandou o caso para o Supremo para blindar todos eles. Mas se deu mal, porque caiu nas mãos de André Mendonça, que está conduzindo com seriedade”, afirmou.
Durante o programa, Júlia Lucy questionou os resultados da CPMI e o prazo final das investigações. Van Hattem respondeu que os trabalhos seguem até março de 2026, podendo ser prorrogados, e que a segunda fase vai focar nos empréstimos consignados, um “outro nível de roubalheira”.
“A CPMI alcançou 100 milhões de pessoas nas redes. Isso mostra o interesse da população, mesmo com o boicote da grande mídia. O povo quer justiça”, disse.
O levantamento de redes mostra que o tema da CPMI do INSS é dominado por narrativas de indignação moral e revolta popular. Entre as menções analisadas, 68% criticam o governo Lula, associando o escândalo ao retorno da corrupção e à influência sindical sobre o INSS.
A oposição usa a comissão para reforçar que o caso é o “maior escândalo de desvio contra aposentados da história do país”, enquanto governistas alegam que as fraudes começaram no governo Bolsonaro e que a CPMI é usada politicamente para atacar o PT.
