Deputados e senadores veem chance maior de redução de penas apenas a partir de 2026
A maioria dos parlamentares não acredita na aprovação de uma anistia ampla para os envolvidos nos atos de 8 de janeiro. Segundo pesquisa do Ranking dos Políticos, divulgada hoje (14), prevalece a avaliação de que o Congresso não aprovará nenhuma medida de anistia, embora cresça a expectativa de redução de penas até 2026.
“O diagnóstico da pesquisa revela que, apesar do tema ser sensível, existe uma tendência clara de prudência entre deputados e senadores”, afirmou Luan Sperandio, diretor de operações da instituição.
Na Câmara, 36,5% dos deputados avaliam que “não será aprovada nenhuma medida”. Já 18,7% preveem redução de penas em 2026 e 13,1% ainda em 2025. A aprovação de uma anistia ampla tem menor adesão: 7,5% esperam que ocorra em 2025 e 12,1% em 2026. Outros 12,1% não responderam.

No Senado, a descrença é maior: 48,2% não veem chances de qualquer medida de anistia. Já 29,6% apostam em redução de penas em 2026 e 3,7% ainda este ano. Apenas 7,4% defendem anistia ampla até 2026, e outros 3,7% acreditam na aprovação ainda em 2025. Indecisos somam 7,4%.
Os dados reforçam que o Legislativo adota postura de cautela, avaliando riscos políticos, jurídicos e de repercussão pública. Mudanças nas penas, caso avancem, devem ocorrer de maneira gradual e após maior distanciamento dos fatos.
LEIA AQUI A ÍNTEGRA DA PESQUISA (PDF)
“O resultado deixa claro que, apesar de um apoio relevante ao tema da anistia, há baixa expectativa de que o assunto seja votado no curto prazo”, disse Sperandio.
A pesquisa ouviu 107 deputados e 27 senadores entre 21 e 31 de outubro, com representatividade proporcional das bancadas. A margem de erro é de 2%, com 95% de confiança.
A relatoria que matou a Anistia
O deputado Paulinho da Força afirmou, em entrevista ao UOL, na última semana de outubro que se arrependeu de ter assumido a relatoria do projeto de anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro. Ele disse que não aceitaria novamente a função e reconheceu a frustração com o impasse que travou o avanço da proposta no Congresso.
“Hoje, eu não aceitaria”, afirmou o deputado. Ele assumiu a relatoria em 18 de setembro com a intenção de ganhar espaço político e protagonismo em um tema que paralisava o Legislativo.

