Congresso já não acredita mais em anistia ampla, afirma Ranking
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Congresso já não acredita mais em anistia ampla, afirma Ranking

Manifestação 08/03, pró anistia - Brasília. Por: Mariana Albuquerque
Manifestação 08/03 - Brasília. Por: Mariana Albuquerque

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Deputados e senadores veem chance maior de redução de penas apenas a partir de 2026

A maioria dos parlamentares não acredita na aprovação de uma anistia ampla para os envolvidos nos atos de 8 de janeiro. Segundo pesquisa do Ranking dos Políticos, divulgada hoje (14), prevalece a avaliação de que o Congresso não aprovará nenhuma medida de anistia, embora cresça a expectativa de redução de penas até 2026.

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“O diagnóstico da pesquisa revela que, apesar do tema ser sensível, existe uma tendência clara de prudência entre deputados e senadores”, afirmou Luan Sperandio, diretor de operações da instituição.

Na Câmara, 36,5% dos deputados avaliam que “não será aprovada nenhuma medida”. Já 18,7% preveem redução de penas em 2026 e 13,1% ainda em 2025. A aprovação de uma anistia ampla tem menor adesão: 7,5% esperam que ocorra em 2025 e 12,1% em 2026. Outros 12,1% não responderam.

Levantamento no Congresso sobre a Anistia
Levantamento no Congresso sobre a Anistia. Fonte: Ranking dos Políticos

No Senado, a descrença é maior: 48,2% não veem chances de qualquer medida de anistia. Já 29,6% apostam em redução de penas em 2026 e 3,7% ainda este ano. Apenas 7,4% defendem anistia ampla até 2026, e outros 3,7% acreditam na aprovação ainda em 2025. Indecisos somam 7,4%.

Os dados reforçam que o Legislativo adota postura de cautela, avaliando riscos políticos, jurídicos e de repercussão pública. Mudanças nas penas, caso avancem, devem ocorrer de maneira gradual e após maior distanciamento dos fatos.

LEIA AQUI A ÍNTEGRA DA PESQUISA (PDF)

“O resultado deixa claro que, apesar de um apoio relevante ao tema da anistia, há baixa expectativa de que o assunto seja votado no curto prazo”, disse Sperandio.

A pesquisa ouviu 107 deputados e 27 senadores entre 21 e 31 de outubro, com representatividade proporcional das bancadas. A margem de erro é de 2%, com 95% de confiança.

A relatoria que matou a Anistia

O deputado Paulinho da Força afirmou, em entrevista ao UOL, na última semana de outubro que se arrependeu de ter assumido a relatoria do projeto de anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro. Ele disse que não aceitaria novamente a função e reconheceu a frustração com o impasse que travou o avanço da proposta no Congresso.

“Hoje, eu não aceitaria”, afirmou o deputado. Ele assumiu a relatoria em 18 de setembro com a intenção de ganhar espaço político e protagonismo em um tema que paralisava o Legislativo.

Paulinho da Força busca acordo entre Câmara e Senado para votar anistia até 30/9 e evitar impasse como o da PEC da Blindagem.

Paulinho tem prometido entregar o texto há semanas, mas parou de responder a imprensa como este site já havia reportado e não comenta mais o assunto. Paulinho chegou a dizer para a imprensa que já estruturou tudo “na cabeça” e que a redação técnica poderia ser concluída em poucos minutos por um jurista experiente. Apesar disso, não avança porque os principais atores políticos e jurídicos divergem sobre o conteúdo.

Paulinho chegou a afirmar para a equipe deste site que a relação da Câmara com o Senado foi um dos pontos de bloqueio, mesmo quando havia expectativa de acordo.

Paulinho conversou com líderes de todos os partidos, com familiares de presos, dirigentes partidários e representantes da esquerda e da direita. Ele chegou a receber um documento da defesa dos presos do 08 de Janeiro.

As negociações não chegaram a consenso. A direita critica o relator por não incluir no texto um dispositivo que retire Jair Bolsonaro da condenação. Paulinho defende mudanças no Código Penal para reduzir penas, o que poderia alcançar o ex-presidente, mas sem alterar sua condenação superior a 20 anos. Já a oposição exige anistia ampla, geral e irrestrita, incluindo Bolsonaro e todos os investigados.

Um mês após assumir a relatoria, o efeito buscado não se confirmou.

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