Em entrevista exclusiva ao programa ALive, do jornalista Claudio Dantas, nesta sexta-feira (31), o senador Sergio Moro (União Brasil-PR) afirmou que o DNA da segurança pública e do combate ao crime organizado “não está no DNA” do governo Lula.
O comentário foi feito ao criticar a resistência do governo petista em classificar facções como “terroristas” e a falta de reconhecimento de que há uma “guerra” contra esses grupos criminosos.
Na visão do ex-juiz da Lava Jato, o “DNA do governo é o DNA do PT e o PT sempre foi leniente em relação a criminalidade”. Segundo ele, “a visão do PT é que o crime é um problema social e que o criminoso é uma vítima da sociedade”.
“Quando o Lula falou que o traficante é vítima do usuário, o pessoal: ‘Ah, uma gafe, um lapso’. Não, o que o PT pensa é isso mesmo, tanto que a proposta deles, que eles não falam abertamente porque sabem que isso tem um impacto eleitoral pesado, é a descriminalização das drogas, como se isso resolvesse o problema do crime organizado”, disse Moro, que completou: “Tem essa postura leniente. Você, por exemplo, tem uma visão [do PT] favorável do Hamas, das Farcs. [O PT] É isso mesmo”.
O senador também se posicionou contra a violência, mas destacou que “temos que ter sim rigor” e que “tem que ter muitas vezes a violência necessária para resolver o problema”.
“O que não deveríamos normalizar jamais é que tenhamos áreas do território nacional que são dominadas por criminosos e que infligem terror na população”, disse Moro. “O que nós temos que fazer é proteger o cidadão, resgatar o nosso país, precisa ter uma ação firme, desse governo não haverá, é impossível porque o DNA não bate”.
O senador finalizou dizendo que, diante da escalada da criminalidade no país, “o que a gente tem que fazer agora é, diante dessa escalada da criminalidade, nós colocarmos as soluções nas mesas e exigirmos do governo uma ação contundente”.

MEGAOPERAÇÃO NO RIO
O senador também comentou a megaoperação no Rio de Janeiro, que resultou na morte de mais de 100 narcoterroristas do Comando Vermelho (CV). Para Moro, ela “reflete a escalada do crime organizado” no Brasil.
“O domínio territorial das facções e do crime organizado sobre largas porções do nosso território já tem há um tempo, e no Rio de Janeiro eu acho que isso é mais notável. E nós não podemos aceitar a normalização dessa situação, porque as pessoas que moram nessas áreas dominadas pelos traficantes, a elas são negados serviços básicos, serviços públicos básicos, serviços até privados”, comentou o ex-juiz.
Moro destacou que o “poder público” precisa recuperar essas áreas e que “é inevitável que o governo federal, estadual e municipal atuem para a recuperação desses territórios [dominados pelos traficantes], para que deixem de ser terra de ninguém, terra sem lei”.

CPI DO CRIME ORGANIZADO
Moro também disse que espera participar da CPI do Crime Organizado, que será instaurada na próxima semana. “Eu sou o único ministro da Justiça e Segurança Pública que foi ameaçado pelo PCC por conta da retaliação do trabalho que eu fiz. […] Então, isso, aliando também a 22 anos de magistratura, acho que me dá um conhecimento e a técnica necessária para participar dessa CPMI”, afirmou.
Segundo o senador, a comissão deve servir como um espaço para apontar “onde o governo, onde o Estado brasileiro está falhando no combate a essa criminalidade” e propor “soluções concretas para esses desafios”.

