Parlamentares afirmam que CPI do Crime Organizado não ameaça apurações sobre fraudes na Previdência
Deputados que integram a CPMI do INSS afirmaram nesta quarta-feira (30) que a criação da CPI do Crime Organizado no Senado não deve enfraquecer as investigações sobre fraudes previdenciárias. Para eles, as duas comissões tratam de frentes distintas, mas complementares, e podem ampliar a pressão sobre o governo federal.
O relator da CPMI do INSS, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), afirmou para a equipe deste site que os focos das investigações são diferentes, mas igualmente relevantes.
“São objetos de investigação bastante distintos. Na CPMI do INSS, organizações criminosas, sem armas e sem mortes sangrentas, roubaram bilhões de reais de aposentados e pensionistas. É o crime organizado do andar de cima, com apoio político e jurídico. Nada vai abafar essas apurações!”, disse.
Gaspar defendeu que o trabalho da comissão mista tem revelado uma rede sofisticada de desvios e que a apuração sobre milícias e facções, conduzida pelo Senado, pode mostrar outro lado do mesmo problema: a falência do Estado em áreas essenciais.
O deputado Zé Trovão (PL-SC) também minimizou o risco de sobreposição entre as duas comissões. Para ele, quanto mais frentes de investigação forem abertas, maior será a exposição das omissões do governo.
“A criação da CPI do Crime Organizado não precisa ser vista como um problema ou uma ameaça à CPMI do INSS. Pelo contrário: quanto mais a omissão do governo federal for investigada e os responsáveis pelos atrasos do país forem identificados, melhor para o Brasil.”
O parlamentar afirmou que as duas CPIs têm pontos de conexão.
“São frentes diferentes, mas que se conectam em um ponto central: a ineficiência e a falta de controle do governo sobre áreas essenciais. Enquanto a CPMI do INSS investiga o colapso na Previdência e as fraudes que prejudicam o cidadão, a CPI do Crime Organizado pode revelar como o crime avança justamente pela ausência do Estado”, afirmou.
Zé Trovão também destacou que o sucesso das duas comissões dependerá da coordenação política da oposição.
“Se bem conduzidas, as duas podem caminhar juntas e fortalecer a oposição, que passa a expor, em duas frentes distintas, a falência da gestão federal. O risco de ‘dividir holofotes’ existe apenas se faltar coordenação. Mas, com foco e unidade, o efeito é o oposto: amplia-se o alcance das denúncias e aumenta a pressão sobre o governo.”
O deputado Duarte Júnior (PSB-MA) avaliou que a nova CPI pode dividir a atenção do Congresso, mas não inviabiliza os trabalhos em curso.
“Com certeza vai dividir o foco. Mas não acredito que abafe, pois são provas fortes demais. Tudo depende da seriedade dos membros”, disse.
Para ele, a prioridade deve ser manter o caráter técnico das apurações.
“São problemas graves que demandam investigação e solução. CPMI não é lugar para narrativa ideológica ou partidária, mas um local de combate incondicional à corrupção.”
A instalação da CPI do Crime Organizado foi determinada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), após a megaoperação policial no Rio de Janeiro que deixou mais de 100 mortos. O colegiado será instalado na próxima terça-feira (4) e investigará “a estruturação, a expansão e o funcionamento do crime organizado, com foco na atuação de milícias e facções”, segundo o despacho de Alcolumbre.
O senador afirmou em nota que “é hora de enfrentar esses grupos criminosos com a união de todas as instituições do Estado brasileiro, assegurando a proteção da população diante da violência que ameaça o país”.
A comissão terá 11 titulares e 7 suplentes, com prazo inicial de 180 dias. Entre os indicados estão Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Sérgio Moro (União-PR) e Magno Malta (PL-ES), todos alinhados à oposição.
