“Alertei em todos os lugares”, diz dirigente do Sindnapi sobre fraudes no INSS
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

“Alertei em todos os lugares”, diz dirigente do Sindnapi sobre fraudes no INSS

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Tonia Galleti afirmou à CPMI que avisou autoridades e ministérios entre 2019 e 2023 sobre irregularidades

Alertei em todos os lugares. Em todas as oportunidades. Podia ser em qualquer lugar, em reunião com presidente do INSS, em reunião com Ministério do Trabalho, da Previdência. Eu dizia ‘olha, tem jabuti na árvore’”, afirmou Tônia Andrea Inocentini Galleti, ex-integrante do Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS), e dirigente do Sindnapi ao depor neste momento (20) à CPMI do INSS.

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Ela declarou ter avisado autoridades sobre o esquema de fraudes entre 2019 e 2023, mas disse que as denúncias não foram levadas adiante pelo então ministro da Previdência, Carlos Lupi (PDT). Galleti negou ter proximidade com o ex-ministro.

O escândalo foi revelado pelo Metrópoles em dezembro de 2023, mostrando o avanço das arrecadações de sindicatos e associações com descontos sobre benefícios de aposentados, que chegaram a R$ 2 bilhões em um ano. As reportagens embasaram investigações da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União (CGU).

Ao todo, 38 matérias do portal foram citadas pela PF na representação que originou a Operação Sem Desconto, deflagrada em 23 de abril. A operação levou à demissão do presidente do INSS e do ministro Carlos Lupi.

Durante o depoimento, Tonia relatou como identificou os primeiros indícios de irregularidades:

“Tudo começou com sócios reclamando que estavam sendo abordados por outras entidades. Alguns iam usar farmácia, chegava lá e não era mais sócio. Quando ele ia olhar, estava filiado a outra associação. Ele não assinou nada, não fez nada.”

Convocada como representante do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi), Galleti é investigada pela PF por suposto recebimento de R$ 20 milhões da entidade, em valores repassados a ela e a familiares.

Ao ser questionada sobre os recursos, respondeu:

“A minha família trabalhou, tá bom? A gente pode falar que isso é uma certa imoralidade, não deveria estar toda a família lá, mas isso não se trata de crime, porque tem trabalho.”

A CPMI também ouviu, na mesma sessão, Filipe Macedo Gomes, ex-presidente da Associação dos Aposentados e Pensionistas Amar Brasil Clube de Benefícios (ABCB), investigada no mesmo esquema.

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