CPMI: Dirigente do Sindnapi “certa imoralidade” em contratos
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Filha de fundador do Sindnapi admite “certa imoralidade” em contratos, mas nega crime

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Em depoimento à CPMI do INSS, Tonia Galetti diz ter trabalhado muito pelos R$ 20 milhões recebidos da entidade

Em depoimento à CPMI do INSS, Tônia Galetti foi confrontada pelo relator Alfredo Gaspar com os repasses milionários do Sindnapi a seu escritório de advocacia. Quebra de sigilo da entidade de aposentados mostrou o pagamento de mais de R$ 20 milhões a Galetti, seu marido e outros familiares dos próprios dirigentes.

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Segundo ela, o dinheiro foi fruto de “muito trabalho”. “Tá bom. A gente pode falar ‘isso é uma certa imoralidade. Ah, não deveria estar toda a família lá, mas isso não se trata de crime, porque tem trabalho”, afirmou.

“Nesse recheio entre contrato de prestação de serviço e nota fiscal emitida e valor recebido, cara, tem muito trabalho.”

Ela disse levar uma vida compatível com sua renda e ironizou o valor dos bens apreendidos. “Se todos esses valores estivessem na minha conta, a Polícia Federal teria apreendido, no mínimo, esses carrões que foram apreendidos nessas operações. E apreendeu, no meu caso, um (Honda) Civic de 2020 e um Renault de 2024. Juntos, os dois carros não dão nem 200 mil reais”, declarou.

Tonia é filha de José Batista Inocentini, sindicalista amigo de Lula e fundador do Sindnapi — ele faleceu em 2023, sendo substituído no cargo por Milton Cavalo. Segundo dados da CGU, a arrecadação do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos saltou de R$ 23 milhões em 2020 para R$ 154,7 milhões em 2024, um aumento de mais de 560%.

Veja o lucro da família e pessoas ligadas à Tônia Galleti
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Esse crescimento ocorreu em meio a denúncias de descontos ilegais em benefícios do INSS e filiações não autorizadas, o que gerou investigações da Polícia Federal (PF) e um bloqueio de R$ 390 milhões em bens do sindicato. Galetti defendeu que se separe o joio do trigo, ou seja, as entidades que prestavam serviços daquelas de fachada. 

“Todas as entidades que são honestas vão ser colocadas no mesmo balaio desses picaretas. Vocês estão matando o mensageiro. Vocês tiram do cidadão a coragem de denunciar a corrupção.”

Segundo o relator da CPMI, o Sindnapi pagou R$ 2,7 milhões à Gestora Eficiente Ltda, registrada em nome do marido Carlos Afonso Galetti Jr e que fazia a interface entre a entidade e as seguradoras; outros R$ 3,2 milhões ao escritório de advocacia também do marido de Galetti, e R$ 2,3 milhões à Esférica Assessoria e Sistemas de Informática Ltda, que pertence a Carlos Eduardo Teixeira Júnior, cunhado da advogada. Tonia negou ter recebido recursos da empresa ou por meio de seu escritório de advocacia. Disse que o serviço era executado por sua irmã, especialista em tecnologia da informação.

“Quem prestava o serviço para a gestora era minha irmã, porque ela é gestora de projetos, trabalha na área de informática e ajudava criando os procedimentos e processos da gestora”, explicou.

Durante o depoimento, a dirigente voltou a defender a atuação do Sindnapi e apresentou números sobre o uso de benefícios por associados.

“Eu tenho 85 mil procurações no meu nome, em nome dos associados do sindicato. Dos 250 mil que contestaram a associação, 45 mil utilizaram 320 mil vezes a farmácia conveniada”, disse. “O sindicato não comete fraude. Eu não cometi fraude. Meu pai não cometeu fraude.”

O escândalo que motivou a CPMI mostra que a arrecadação de entidades com descontos de mensalidades de aposentados chegou a R$ 2 bilhões em um ano, enquanto multiplicavam-se os processos por fraude em filiações de segurados.

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