Relatório do Coaf aponta transações suspeitas da Contag
A Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (Contag), próxima ao PT e investigada por supostas fraudes no INSS, movimentou R$ 2 bilhões entre maio de 2024 e maio de 2025, segundo relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) enviado à CPI do INSS.
Do total, R$ 1,017 bilhão corresponde a receitas e R$ 1,015 bilhão a pagamentos. Parte das transações foi classificada como suspeita, com indícios de desvios e fraudes.
O documento também aponta movimentações em regiões de fronteira — como Rodeio Bonito (RS), Cruzeiro do Sul (AC) e Tangará da Serra (MT) — além de operações de “cheques viagem” e repasses a terceiros sem vínculo identificado.

O Coaf destacou depósitos atípicos, como os R$ 46,4 milhões em apenas um mês, e aplicações em fundos de renda fixa consideradas incompatíveis com a declaração de rendimentos.
Histórico da Contag e envolvimento em roubo
A Contag declarou não ter acesso ao relatório, mas negou irregularidades. Em nota, afirmou que os valores decorrem de transferências e repasses do sistema sindical e que todos os recursos têm origem identificada e estão em conformidade com as obrigações legais e fiscais.
A entidade já havia aparecido como a maior beneficiada com descontos associativos: entre 2016 e janeiro de 2025, arrecadou R$ 3,4 bilhões, segundo a CGU. Fundada nos anos 1960, a confederação tem histórico de proximidade com o PT e é presidida por Aristides Veras, irmão do deputado Carlos Veras (PT-PE).
A CPI também investiga o Sindicato Nacional dos Aposentados e Pensionistas do Brasil (Sindnapi), presidido por Milton Cavalo e que tem como vice o irmão do presidente Lula, José Ferreira da Silva, o Frei Chico. O sindicato movimentou R$ 1,2 bilhão no mesmo período.
