PT cobra de clã Bolsonaro por caso Master mas poupa Jaques
Brasília, Sexta, 03 de julho de 2026
Política

PT cobra de clã Bolsonaro por caso Master mas poupa Jaques

Sigla cobra explicações de Flávio Bolsonaro por dinheiro recebido para filme Dark Horse

Lula e Jaques Wagner
Foto: Divulgação/PT

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Por Ândrea Malcher

Repórter especialista em Congresso Nacional

O Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores aprovou, nesta sexta-feira (3), uma resolução política em que a sigla tece críticas à família Bolsonaro, apesar de deixar o ex-líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), de fora ao citar o caso do Banco Master.

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Associando os escândalos do banco de Daniel Vorcaro à “extrema direita”, o PT cobra explicações do pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ). 

“Até hoje, Flávio Bolsonaro não apresentou explicações convincentes sobre o destino dos milhões de reais solicitados a Daniel Vorcaro nem sobre as operações financeiras que cercam essa relação. As sucessivas mentiras e mudanças de versão apenas ampliam as dúvidas da sociedade. Mais do que um episódio isolado, esse caso evidencia a promiscuidade entre interesses privados, poder político e setores do sistema financeiro que marcou o período bolsonarista”, diz um trecho do documento.

O partido segue na estratégia de explorar a associação entre Flávio e o caso Master. O PT solicitou ao ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que os recursos repassados por Vorcaro para o filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro, sejam investigados.

No entanto, o PT não faz menção às investigações envolvendo Jaques Wagner. Segundo a Polícia Federal (PF), o senador recebeu vantagens, como caronas em jatinhos particulares, ingressos para shows e um imóvel em Salvador (BA) avaliado em R$ 2,5 milhões.

Jaques nega as acusações, mas reconhece manter proximidade com o empresário Augusto Lima, ex-sócio do Master.

Na resolução petista, Flávio e Eduardo Bolsonaro são responsabilizados por atuarem “fora do país para estimular medidas econômicas contra o próprio Brasil, negociando o prejuízo do povo brasileiro como instrumento de cálculo eleitoral”.

O partido vê como “gravíssimo” a “tentativa de subordinar os interesses nacionais a projetos estrangeiros ou a disputas políticas internacionais”.

“Ao pedir que as tarifas contra produtos nacionais fossem aplicados somente depois das eleições, revelam o caráter entreguista de um projeto político que não hesita em sacrificar empregos, empresas brasileiras, a produção nacional e a soberania do país em benefício de seus próprios interesses. Trata-se de uma postura de vendilhões da pátria, que afronta a história do povo brasileiro e tenta transformar o Brasil em quintal norte americano”, analisa.

O senador enviou na quinta (2) ao governo de Donald Trump um documento em que oferece vantagens comerciais, como eliminar tarifas para o etanol e reduzir a carga tributária para empresas de cartões de crédito, além de afirmar que o PIX é um dos marcos do governo do pai, Jair Bolsonaro, apontando que o banco central dos EUA, o Fed, possui uma ferramenta similar, chamada FedNow.

Ele propõe, ainda, que o Brasil “se liberte das amarras” do Mercosul, tal qual o presidente da Argentina, Javier Milei, fez, uma vez que o bloco comercial restringe negociações bilaterais. O pré-candidato pediu que as tarifas contra o país fossem adiadas por 180 dias e que as taxas de 25% sejam aplicadas somente após as eleições. Flávio avaliou na carta que caso se confirme, o tarifaço será uma “vitória política” a Lula (PT).

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