Coaf vê R$ 1,2 bi em sindicato ligado a irmão de Lula
Brasília, Sábado, 04 de julho de 2026
Política

Coaf aponta R$ 1,2 bi em seis anos em sindicato ligado a irmão de Lula

O senador detalhou suspeitas envolvendo o sindicato Sindinap, do qual o irmão do presidente Lula é vice-presidente.
O senador detalhou suspeitas envolvendo o sindicato Sindinap, do qual o irmão do presidente Lula é vice-presidente. Foto: Reprodução

Compartilhe em

Foto do autor

Por Redação

RIF enviado à CPMI do INSS cita saques em espécie, repasses a empresas de familiares de dirigentes e salto de 564% em transferências

O Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos da Força Sindical (Sindnapi), que tem Frei Chico, irmão do presidente Lula, como vice-presidente, movimentou R$ 1,2 bilhão entre janeiro de 2019 e junho de 2025, segundo Relatório de Inteligência Financeira (RIF) do Coaf encaminhado à CPMI do INSS.

✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp

O documento ressalta operações em espécie — saques e depósitos — que somam R$ 6,5 milhões no período, caracterizadas como “complexas” pela dificuldade de rastrear a origem e identificar beneficiários finais.

O RIF também registra R$ 8,2 milhões em transferências do sindicato para empresas de familiares de dirigentes, incluindo parentes do atual presidente da entidade, Milton Baptista de Souza Filho (“Milton Cavalo”), e do ex-presidente João Batista Inocentini (morto em agosto de 2023). As transferências ocorreram no período analisado.

Irmão de Lula é vice-presidente do Sindinapi.
Irmão de Lula é vice-presidente do Sindinapi.
Foto: Reprodução.

De acordo com dados oficiais citados na apuração, os valores repassados pelo INSS ao Sindnapi cresceram 564% de 2020 a 2024 — de R$ 23,2 milhões para R$ 154,7 milhões — via descontos em benefícios de segurados. Auditoria da CGU apontou que, numa amostra aleatória, a entidade não apresentou a documentação completa de nenhum associado.

Investigação e efeitos na Previdência

Ligado à Força Sindical, o Sindnapi é alvo do inquérito que resultou na Operação Sem Desconto, deflagrada em 23 de abril. A operação levou à queda do então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, e do então ministro Carlos Lupi, informa a coluna. O número de filiados saltou de cerca de 170 mil para 420 mil entre 2021 e 2023, elevando a receita de R$ 41 milhões para R$ 149 milhões, segundo o TCU.

O INSS afirmou que sua ação administrativa focou entidades com indícios de pagamento de propina ou com incapacidade mínima de funcionamento, argumento pelo qual o Sindnapi não teria sido incluído naquele processo específico.

DIREITO DE RESPOSTA DO SINDNAPI

“Após a quebra do sigilo fiscal do Sindnapi (Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos) no âmbito da CPMI do INSS, foram vazadas na imprensa informações de transações bancárias o Sindicato e seus dirigentes, obtidas a partir de Relatório de Inteligência Financeira expedido pelo COAF.

A esse respeito, o Sindicato, apesar de ter seu sigilo bancário exposto, direito conferido constitucionalmente a todos os cidadãos e organizações da sociedade civil, não vê qualquer problema, dado que, desde o início da deflagração da Operação Sem Desconto, vem se colocando à disposição das autoridades.

Contudo, os dados vêm sendo distorcidos e divulgados de forma irresponsável e mal intencionada, procurando atingir a imagem e respeitabilidade do Sindicato e seus dirigentes, o que merece reparo, além de nosso repúdio.

As cifras, frequentemente mencionadas na casa dos bilhões de reais, consistem na soma de entradas e saídas ao longo de diversos anos, o que artificializa o real fluxo de caixa da entidade. Isso faz com que a população seja exposta à percepção, falsa, de que o Sindicato movimenta uma verba que não é compatível com a sua atividade e os serviços prestados no melhor interesse de seus associados e de toda a sociedade, dada a incansável luta da entidade em defesa da proteção social dos aposentados do Brasil.

Vejamos, no período de janeiro de 2021 a abril de 2025, o Sindnapi teve receitas de pouco mais de R$ 387 milhões oriundas dos descontos associativos e mais R$ 41 milhões de recebimentos de empréstimos e outras entradas, resultando num total geral de pouco mais de R$ 428 milhões. Considerando o mesmo período, o Sindnapi teve despesas de aproximadamente R$ 458.131.000,00, plenamente justificadas, contabilizadas e auditadas sendo que os principais itens correspondem ao programa Viver Melhor (60,30%), folha de pagamento (11,39%), honorários advocatícios (7,43%), impostos (4,44%) e repasses para as 56 subsedes espalhadas pelo país (3,63%).

A diferença de cerca de R$ 30 milhões entre receitas e despesas foi suportada pela poupança e investimentos que giraram na ordem de R$ 70 milhões. Planilhas contábeis, balancetes, auditorias e contas bancárias estão à disposição da Suprema Corte do país, o que ratifica o interesse do Sindnapi em esclarecer os fatos para que se separe entidades idôneas das verdadeiras organizações criminosas.

Por fim, manifestamos também repúdio à estratégia que foi mobilizada de vazar na imprensa informações que nem o Sindnapi e tampouco os seus advogados do Sindicato tiveram prévio acesso. Trata-se de expediente dedicado única e exclusivamente a confundir e depreciar o Sindnapi, e que em nada se coaduna com o exercício das liberdades comunicativas, essenciais para o Estado Democrático de Direito.”

Escreva seu e-mail para receber bastidores e notícias exclusivas

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

Publicidade