O efeito Magnitsky: Dani Lima é demitida da Globonews - Claudio Dantas
Brasília, Terça, 21 de julho de 2026
Brasil

O efeito Magnitsky: Dani Lima é demitida da Globonews

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Canal demite nomes ligados ao petismo em meio a riscos da Lei Magnitsky

A GloboNews confirmou nesta segunda-feira (4) a saída da apresentadora Daniela Lima, uma semana após a demissão da comentarista Eliane Cantanhêde. O comentarista Mauro Paulino também deixa a emissora. As três saídas são tratadas oficialmente como parte de uma “renovação de quadro”.

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Daniela Lima anunciou o desligamento pelas redes sociais: “Depois de dois anos, deixo a GloboNews com a sensação de missão cumprida, cabeça erguida, ávida pelos próximos desafios”. Sua passagem pela emissora foi marcada por atritos internos e críticas públicas, incluindo pedidos de desculpa ao vivo após erro de apuração envolvendo o vereador Carlos Bolsonaro.

Já Eliane Cantanhêde, após 15 anos de casa, relatou que vinha tentando diminuir a carga de trabalho e que ataques nas redes sociais contribuíram para sua decisão. Segundo a coluna F5, a emissora também prepara reformulações estruturais nos telejornais.

Os desligamentos ocorrem em meio à crescente preocupação de entidades brasileiras com os efeitos legais da Lei Magnitsky. O ministro Alexandre de Moraes, do STF, foi incluído na lista de sancionados dos Estados Unidos por violações de direitos humanos. A classificação impede que empresas ou pessoas em território americano, ou que usem serviços vinculados ao sistema financeiro dos EUA, ofereçam qualquer “bem, serviço ou benefício” ao sancionado.

A legislação também alcança serviços não financeiros, como organização de entrevistas, publicação de opiniões ou eventos que ofereçam visibilidade institucional. Plataformas americanas como YouTube, Instagram e Zoom entram nesse escopo, assim como serviços de armazenamento, tradução e redação baseados nos EUA.

Em função disso, bancos e empresas de comunicação com operação nos Estados Unidos estão sob risco de sanções secundárias caso contribuam direta ou indiretamente com Alexandre de Moraes. Entre os exemplos de violação estão contratação de lobby, defesa pública ou apoio logístico ao magistrado.

O Banco do Brasil, o Bradesco e outras instituições financeiras aguardam pareceres jurídicos para definir os limites da exposição. Em paralelo, o ministro Cristiano Zanin foi sorteado para analisar um pedido de Lindbergh Farias (PT-RJ), que tenta impedir a aplicação da Magnitsky no Brasil. Juristas ligados ao PT sugerem até mesmo intervenção em bancos que cumpram as sanções.

A mudança editorial da GloboNews ocorre em meio às tensões diplomáticas com os EUA e a pressão crescente sobre empresas, mídias e figuras ligadas ao governo Lula. O risco de violações secundárias à Lei Magnitsky pode ter acelerado a decisão de redesenhar o perfil de seus comentaristas.

 

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