Defesa denuncia tortura, dopagem e cela escura
A situação de Claudinei Pego da Silva, preso político desde 8 de janeiro de 2023, atingiu um novo limite nesta quarta-feira (3). Segundo a advogada Ana Sibutt, que o visitou no Presídio Nelson Hungria (MG), Claudinei tentou tirar a própria vida pela terceira vez. Desta vez, “visivelmente dopado, com confusão mental grave e severamente desnutrido”, ele não recebeu nenhum atendimento médico até o momento, conforme denunciou a defesa.
A situação, que já se arrasta há mais de dois anos, beira o colapso. A última tentativa de suicídio ocorreu em 25 de junho, quando o rapaz tentou se enforcar com uma corda improvisada. Desde então, permanece emocionalmente devastado na enfermaria do presídio, sem acompanhamento psicológico ou clínico.
De acordo com relatos da esposa, Priscila Kellen Oliveira, a situação dentro da prisão é desesperadora. Claudinei estaria sendo agredido e humilhado, inclusive com uso de spray de pimenta nos olhos e tapas constantes. Atualmente, ele divide uma cela escura com outro preso.
A defesa vem pedindo, desde maio, a concessão de prisão domiciliar com urgência, diante da iminência de morte. O pedido depende do parecer de uma junta médica, ainda não apresentado, mesmo após solicitação do ministro Alexandre de Moraes, do STF.
Com sentença transitada em julgado desde fevereiro de 2024, Claudinei cumpre pena de 16 anos e meio, mesmo sem histórico de violência ou periculosidade. Segundo os advogados, ele foi à Praça dos Três Poderes acompanhar um amigo e acabou detido ao buscar abrigo em um prédio público.
A transferência para o presídio mineiro, solicitada pela própria família para facilitar visitas, pouco aliviou o sofrimento. Casado e pai de quatro filhos, Claudinei viu sua vida familiar ruir. O filho mais novo, de seis anos, apresenta sinais evidentes de trauma, como crises de choro. A esposa está desempregada, vive de doações e relata que a oficina do marido, sua fonte de sustento, foi fechada. Mesmo preso, Claudinei ainda é legalmente responsável pelo pagamento de pensão alimentícia.
O caso de Claudinei se soma a outros episódios de abandono, maus-tratos e omissão institucional no sistema penal. A defesa alerta: “um erro que não custava uma vida” está sendo pago com o que resta da saúde física e mental de um homem, e com o colapso da dignidade de sua família.
