A defesa do ex-ministro da Justiça Anderson Torres entregou ao STF um laudo pericial que indica semelhança entre a chamada “minuta do golpe” apreendida em sua casa e uma versão disponível publicamente na internet.
O perito Roosevelt Alves Fernandes Leadebal Junior afirmou que há “compatibilidade substancial de conteúdo e estrutura” entre o documento encontrado pela PF e uma versão publicada em site identificado por Ata Notarial. O laudo foi anexado à Ação Penal 2.668, que tem Torres como réu, ao lado de Jair Bolsonaro e outros seis investigados.
Segundo o parecer, a minuta atribuída a Mauro Cid, com três páginas, é totalmente diferente da encontrada na residência de Torres. O perito afirmou que não há compatibilidade formal, textual ou estrutural entre os documentos.
A perícia foi apresentada um dia antes da acareação entre Torres e o general Freire Gomes, marcada para esta terça-feira (24), no STF. A defesa do ex-ministro tenta afastar a versão de que ele participou de uma reunião com os comandantes das Forças Armadas, em dezembro de 2022, na qual o documento teria sido discutido. Outros participantes também negam a presença de Torres.
No último dia 17, Moraes determinou que o Google informasse quem subiu a “minuta do golpe” à internet, atendendo a pedido da defesa, que sustenta que o texto estava disponível publicamente. Em depoimento, Torres alegou não se lembrar de ter recebido o arquivo e ironizou, dizendo que se tratava de uma “minuta do Google”.
Moraes havia exigido prova pericial que comprovasse a alegação da defesa de que o material encontrado em sua casa não guardava semelhança com outros documentos citados no processo. A perícia foi apresentada nesta segunda-feira (23).
