PT também se beneficiou da liberação recorde de emendas
O presidente Lula tem intensificado a destinação de verbas de emendas a congressistas nos últimos dias, com preferência por partidos do Centrão e PT. A estratégia é recompor a base aliada para tentar barrar a ofensiva da Câmara contra o decreto que aumentou o IOF.
A atualização da quinta-feira (19) do Sistema Integrado de Planejamento e Orçamento (Siop) revela que o governo petista desembolsou mais R$ 108 milhões em emendas a congressistas em um dia. Desde o início desta semana, o Palácio do Planalto libera verbas para tentar garantir apoio a medida de Haddad.
Em apenas quatro dias, a reserva de recursos para os congressistas saltou de R$ 152,1 milhões para R$ 776 milhões — aumento de R$ 623,8 milhões. A etapa inicial que reserva recursos do Orçamento ainda não resultou em pagamentos significativos, que somam apenas R$ 5,1 milhões.
A prioridade dos recursos tem sido para legendas que detêm ministérios na Esplanada, somando R$ 517,3 milhões (equivalente a 75,7% do total). Veja o ranking:
- PSD: R$ 95,2 milhões
- União Brasil: R$ 83,3 milhões
- PT: R$ 80,1 milhões
A priorização desses partidos tem sido alvo de críticas de outras legendas que compõem a base de sustentação do governo no Congresso, como PSB, Rede e Psol. Seus integrantes se sentem esquecidos pelo Planalto, que, segundo eles, já conta com o apoio automático dessas bancadas.
Apesar do esforço e da liberação de verbas, a Câmara aprovou a urgência do Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 314/2025, que pode revogar a medida. Hugo Motta classificou a aprovação da urgência como um “recado” claro contra novos impostos.
Deputados e senadores também têm manifestado insatisfação com a demora na execução orçamentária, preocupados em ter resultados concretos para apresentar em seus redutos eleitorais no início de 2026. A liberação intensiva de emendas deve acontecer no segundo semestre com o objetivo de reduzir essa insatisfação.
Caso a Câmara decida derrubar o aumento do IOF, o governo Lula contará com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para atuar como uma barreira de contenção. No entanto, aliados de Alcolumbre alertam que será difícil para ele sustentar o projeto se a insatisfação dos parlamentares persistirem.
É importante ressaltar que empenhar emendas significa reservar uma parte do Orçamento para garantir que um determinado gasto possa ser realizado futuramente, sendo diferente da etapa de pagamento, quando o dinheiro de fato sai dos cofres públicos.
A expectativa é que, na segunda metade do ano, haja uma intensificação nos pagamentos das emendas, movimento que pode auxiliar o governo a avançar com suas pautas e reduzir o descontentamento dos parlamentares.
