“Eu sou um democrata”, afirma Braga Netto - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

“Eu sou um democrata”, afirma Braga Netto

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Braga Netto nega participação em plano golpista e questiona versão de delação premiada

O general da reserva Walter Braga Netto, ex-ministro da Defesa e da Casa Civil no governo Bolsonaro, negou qualquer participação em fantasioso plano golpista durante interrogatório no Supremo Tribunal Federal (STF), nesta terça-feira (10). Preso preventivamente desde dezembro, ele foi ouvido por videoconferência e afirmou não ter ordenado ou coordenado ataques contra autoridades nem envolvimento em repasses financeiros ilegais.

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Em resposta à defesa, Braga Netto reafirmou sua posição ao suposto plano: “Eu sou um democrata, eu nunca iria apoiar um plano que iria contra autoridade do Executivo”.

Braga Netto é acusado de envolvimento em um plano que, segundo a Polícia Federal, previa ações contra o presidente eleito Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro do STF Alexandre de Moraes. O general disse desconhecer qualquer operação com esse nome. “Ministro, eu nunca tinha ouvido falar dessas duas operações”, afirmou.

Logo no início do depoimento, ao ser questionado pelo ministro Moraes se já havia sido preso anteriormente, Braga Netto respondeu: “Eu estou preso, senhor presidente”. Moraes reagiu: “Eu sei que o senhor está preso, eu que decretei”.

Sobre  supostas críticas ao comandante Freire Gomes, o general disse que não se recorda das mensagens e que foram retiradas de contexto. “Eu jamais ordenei ou coordenei ataques a nenhum chefe dos militares”.

Questionado sobre a tentativa de aliciar os comandantes militares, o ex-ministro negou. “Jamais ordenei ou coordenei ataques a nenhum dos chefes militares. Pelo contato que eu tinha com eles, se eu tivesse que falar alguma coisa, eu falaria pessoalmente com eles”.

Sobre a acusação de entrega de dinheiro em caixa de vinho, Braga Netto disse que Mauro Cid apenas lhe pediu apoio para despesas eleitorais. “O Cid veio atrás de mim e perguntou se o PL podia arrumar algum dinheiro. Era muito comum o presidente Jair Bolsonaro, ou o Valdemar, ou outro, pedirem para pagar contas de campanha atrasadas”, disse. “Na minha cabeça, tem alguma coisa a ver com campanha. Eu virei pra ele e falei: ‘procura o tesoureiro, que é o Azevedo’”.

Braga Netto negou ter entregue valores a Cid e afirmou não ter relação com empresários. “Eu não tinha contato com empresários, então não dei dinheiro para o Cid. Todo dinheiro era encaminhado para a conta da campanha. No final do pleito, ainda devolvemos um pedaço do dinheiro para o PL”.

 

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