Declaração de Eduardo Siqueira reforça suspeitas de vazamento de informações privilegiadas no Judiciário
O prefeito de Palmas (TO), Eduardo Siqueira Campos (Podemos), tornou-se alvo da Polícia Federal após declarar, em uma conversa gravada, que teria recebido um alerta antecipado de uma operação da PF por parte do ministro João Otávio de Noronha, do Superior Tribunal de Justiça (STJ). O conteúdo da gravação consta nos autos do inquérito que apura a venda de decisões judiciais em Tocantins. Noronha, relator da investigação à época, negou qualquer envolvimento.
Em diálogo com o advogado Thiago Marcos Barbosa de Carvalho, obtido pelo Metrópoles, Eduardo relata que Noronha o teria chamado a Brasília antes da deflagração da Operação Maet, em 2010, e antecipado que quatro desembargadores seriam afastados.
“Esse Noronha, há 15 ou 18 anos, me chamou em Brasília e falou: ‘Siqueira, só para avisar ao teu pai que vão ser afastados quatro desembargadores’”, disse ele no áudio.
Hoje, o próprio Noronha é o relator da Operação Maximus, que apura novos episódios semelhantes no TJ-TO. O ministro negou a acusação.
“Não participei de qualquer reunião nem tenho relação pessoal ou profissional com os citados”.
A nova frente de investigação foi aberta após a PF apreender o celular do desembargador Helvécio de Brito Maia Neto, também investigado por envolvimento no esquema. Em seu aparelho, agentes encontraram mensagens indicando que ele foi alertado dias antes de uma operação. O responsável pelo aviso, segundo os investigadores, foi Thiago Barbosa.
A partir dessas evidências, a PF solicitou e obteve autorização do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), para prender Barbosa e vasculhar seu celular. No dispositivo, os agentes encontraram o áudio em que o prefeito de Palmas revela a conversa com o ministro do STJ. A gravação é de junho de 2024, feita dois dias antes de Barbosa ter alertado o desembargador sobre as investigações.
Com base nesse conteúdo, a PF identificou que Eduardo Siqueira não apenas teria sido a origem dos vazamentos, como demonstrava conhecimento minucioso do avanço das apurações. Em outro trecho, ele afirma contar com uma fonte paga dentro do STJ e antecipa os efeitos das investigações.
Na última sexta-feira (30/5), a PF deflagrou a 9ª fase da Operação Sisamnes, com base em decisão de Zanin, e apreendeu o celular do prefeito. Em coletiva, Eduardo negou ter qualquer fonte privilegiada.
“Eu não tenho nenhuma informação privilegiada; estou aqui para responder em relação ao fato do suposto vazamento de informação”.
A declaração, no entanto, contrasta com os áudios encontrados pela PF, que sustentam o avanço do megainquérito sobre a venda de sentenças e espionagem contra autoridades em Tocantins.
