STJ abre investigação sobre Mauro Mendes em caso ligado ao Banco Master
Brasília, Quarta, 24 de junho de 2026
Justiça

STJ abre investigação sobre Mauro Mendes em caso ligado ao Banco Master

Apuração envolve credenciamento do Credcesta em Mato Grosso e tramita sob sigilo no tribunal

Ex-governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (União Brasil)
Ex-governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (União Brasil)

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Por Redação

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) abriu uma investigação contra o ex-governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (União Brasil), para apurar possíveis irregularidades no credenciamento do Credcesta, programa de crédito consignado vinculado ao Banco Master. O procedimento foi instaurado a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) e tramita sob sigilo, segundo o O Globo.

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Segundo fontes ligadas à apuração, a investigação mira atos praticados em 2023, quando o governo estadual autorizou a operação do Credcesta para servidores públicos. Mauro Mendes deixou o governo há três meses para disputar uma vaga no Senado.

O caso coloca o ex-governador entre os agentes públicos investigados por medidas relacionadas ao Credcesta. O programa também aparece em apurações envolvendo o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), e em investigações que alcançaram aliados do senador Jaques Wagner (PT-BA).

Credenciamento em poucos dias

A investigação concentra atenção na velocidade do processo que resultou na autorização do programa em Mato Grosso.

Em 5 de maio de 2023, Mauro Mendes assinou decreto criando uma margem consignável exclusiva de 10% para cartões de benefícios destinados a servidores e pensionistas.

Três dias depois, o Banco Master solicitou o credenciamento do Credcesta. Em menos de uma semana, o pedido recebeu parecer favorável do governo estadual.

Segundo os registros analisados pelos investigadores, o procedimento foi aberto em 9 de maio. Em 12 de maio, pouco mais de 30 minutos após o envio de documentação complementar pelo banco, o governo emitiu manifestação favorável à habilitação do programa.

A autorização definitiva foi publicada no Diário Oficial em 1º de junho de 2023, com validade até maio de 2028.

Viagem aos Estados Unidos entrou no radar

Entre o pedido de credenciamento e a autorização concedida pelo governo estadual, Mauro Mendes participou de um evento empresarial em Nova York promovido pelo Grupo LIDE.

Relatórios da Polícia Federal apontam que o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, também esteve na cidade naquele período.

Mendes não é citado nos trechos do relatório que fundamentaram operações da Polícia Federal relacionadas ao caso Master. No entanto, registros públicos indicam que ele esteve no restaurante Nusr-Et, em Nova York, no mesmo período em que ocorreram encontros que passaram a ser analisados pela PF.

Posteriormente, o ex-governador afirmou que pagou suas próprias despesas e negou qualquer relação com Vorcaro.

“[Nos] Encontramos por coincidência em restaurante aberto. Quando ele chegou eu já estava sentado. Ficamos em mesa distinta e pagamos a conta”.

Mauro Mendes também declarou nunca ter mantido conversas com representantes do Banco Master, nem no Brasil nem durante a viagem aos Estados Unidos.

Defesa nega irregularidades

Procurado, o ex-governador afirmou que todas as medidas adotadas por sua gestão seguiram os procedimentos legais.

Segundo Mendes, o Credcesta não recebeu tratamento diferenciado e fazia parte de um conjunto maior de instituições autorizadas a operar no estado.

De acordo com ele, outras 24 instituições financeiras também foram credenciadas durante sua administração e diversos estados já haviam adotado o mesmo modelo.

“Portanto, o Master era apenas mais um e não foi o primeiro a ter o cadastro aprovado. O governo de Mato Grosso preza por eficiência”.

Questionamentos sobre o modelo

O Credcesta voltou ao centro das atenções após novos desdobramentos da Operação Compliance Zero.

Criado inicialmente na Bahia, o modelo se expandiu para outros estados por meio de decretos que ampliaram a margem consignável dos servidores.

Em Mato Grosso, sindicatos e entidades representativas questionam na Justiça o funcionamento do programa. Ações judiciais apontam relatos de superendividamento e comprometimento elevado da renda de servidores ativos e aposentados.

Advogados que atuam nos processos sustentam que parte das operações foi formalizada por telefone ou aplicativos de mensagens e questionam a atuação de empresas que posteriormente tiveram suas carteiras absorvidas pelo Banco Master.

As investigações seguem em andamento no STJ e em outros órgãos de controle.

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