Lula convoca reitores às pressas após protestos contra cortes em universidades - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Brasil

Lula convoca reitores às pressas após protestos contra cortes em universidades

Aposentadoria de Barroso reabre disputa por vaga no STF; Lula terá cinco ministros indicados e cotados incluem Jorge Messias, Pacheco e Dantas
Aposentadoria de Barroso reabre disputa por vaga no STF; Lula terá cinco ministros indicados e cotados incluem Jorge Messias, Pacheco e Dantas. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Diante da reação negativa ao bloqueio de verbas nas universidades federais, o presidente Lula convocou uma reunião emergencial com reitores para esta terça-feira (27), às 8h, no Palácio do Planalto. O convite, feito pelo ministro da Educação Camilo Santana, pegou os reitores de surpresa e forçou o cancelamento de agendas em diversas instituições.

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A convocação acontece após o anúncio do governo de que os repasses às federais serão postergados, o que acendeu protestos e agravou a insatisfação no setor. A medida antecedeu o contingenciamento de R$ 30 bilhões divulgado em 21 de maio.

Entidades como SBPC e ABC criticaram a decisão, alertando que o atraso inviabiliza o funcionamento das instituições. Em nota, destacaram que mais de 90% da produção científica do país vem das universidades públicas. A crise atinge também hospitais universitários, que relatam falta de insumos, comida e aparelhos quebrados.

No Instituto de Psiquiatria da UFRJ, a verba para o programa PRHOSUS não chegou, afetando atividades acadêmicas e assistenciais. No Instituto de Ginecologia, também na UFRJ, faltou alimentação para pacientes. Internações foram suspensas. Segundo denúncia à imprensa, aparelhos de radioterapia seguem inoperantes.

O decreto presidencial 12.448/2024 determinou que apenas 61% do orçamento previsto para universidades seja liberado ao longo do ano, com o restante prometido para dezembro. Reitores apontam que essa limitação compromete o planejamento das instituições e ameaça a continuidade dos serviços.

Mesmo com o anúncio de um pacote de R$ 5,5 bilhões após a greve nas universidades, apenas R$ 250 milhões representam verba nova. O restante já estava previsto no orçamento.

Dados do centro de estudos SoU_Ciência indicam que os recursos discricionários para custeio continuam abaixo dos registrados entre 2016 e 2019, mesmo com correção inflacionária. Em 2016, as universidades liquidaram R$ 6,7 bilhões. Em 2024, o valor é de R$ 5 bilhões. Em comparação, 2023 registrou R$ 5,2 bilhões.

A verba para infraestrutura segue em queda. Em 2024, os recursos para obras, equipamentos e veículos somaram apenas R$ 162 milhões — o segundo menor valor desde 2000. A UFRJ relata paralisação de obras e cancelamento de aulas por falta de condições estruturais. A Unifesp, campus Osasco, está com obras paradas há 16 anos.

A assistência estudantil teve leve recuperação desde 2023, mas permanece abaixo dos níveis anteriores à pandemia. Em 2016, os investimentos chegaram a R$ 1,2 bilhão. Em 2021, caíram para R$ 881 milhões. Em 2024, chegaram a R$ 1,1 bilhão, valor ainda insuficiente diante do aumento de matrículas.

Após o bloqueio de R$ 31,3 bilhões no Orçamento de 2025, o governo anunciou a recomposição de R$ 340 milhões para as universidades, valor superior ao solicitado pelas instituições. A quantia foi viabilizada por remanejamento interno autorizado pela Fazenda.

Apesar disso, universidades adotam medidas emergenciais: cortaram transporte estudantil, limitaram o uso de veículos oficiais e priorizam o pagamento de contas básicas. A Andifes classificou como “urgente e essencial” não apenas a recomposição dos cortes, mas uma suplementação ainda este ano. Alertou também que liberar recursos apenas em dezembro compromete o funcionamento das instituições.

O governo Lula não detalhou quais pastas serão atingidas pelo congelamento. Os ministérios devem informar até o fim de maio quais áreas sofrerão bloqueios. Os cortes atingem despesas não obrigatórias, como contratos terceirizados e investimentos públicos.

O MEC afirma que seu orçamento cresceu 38% entre 2022 e 2025, saltando de R$ 163,9 bilhões para R$ 226,4 bilhões. Alega ainda que os repasses às universidades subiram 22%. Mesmo assim, o impacto das restrições já é visível nas salas de aula, hospitais, laboratórios e restaurantes universitários.

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