O procurador-geral da República, Paulo Gonet, defendeu nesta terça-feira (13), durante a participação em fórum promovido pelo Lide, em Nova York, que decisões tomadas pelo Parlamento devem ser respeitadas pelos aplicadores do direito, desde que estejam dentro dos limites constitucionais.
Sem mencionar diretamente o caso do deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ), Gonet sinalizou preocupação com a atuação de órgãos técnicos que desconsideram posicionamentos políticos legítimos.
“No direito, não temos, como na matemática, uma única resposta certa para os problemas. Mas faz parte de preservar a segurança jurídica que os órgãos aplicadores do direito respeitem as decisões tomadas pelos órgãos políticos, na medida em que essas decisões estão de acordo com a Constituição”, afirmou.
Segundo ele, a Constituição “é, muitas vezes, bastante ampla para alcançar diversas soluções”, o que exige consideração às escolhas feitas pelo Parlamento.
“Na medida em que o Parlamento, que os órgãos políticos, tomaram uma decisão, os aplicadores têm de respeitar. E à medida que essas decisões estão de acordo com a Constituição, não podemos substituir uma decisão que tenha sido tomada por alguma [decisão] que o órgão técnico acredite que seja melhor”.
A declaração de Gonet veio logo após o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), pedir uma autocrítica dos Três Poderes em prol da pacificação política no Brasil. Motta também discursou no evento, defendendo a autonomia do Legislativo e criticando interferências externas.
Na semana passada, a Câmara decidiu suspender a investigação contra Ramagem, enquanto a Primeira Turma do STF derrubou parte dessa decisão, reacendendo a disputa entre os Poderes.
