Supersalários na Embrapa: Licença especial turbina contracheques - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Artigos Exclusivos

Supersalários na Embrapa: Licença especial turbina contracheques

Compartilhe em

Foto do autor

Por Redação

Uma prática na Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) permite que funcionários recebam valores milionários através da chamada licença especial, um benefício restrito a empregados admitidos antes de 24 de abril de 1998, segundo revelou o Metrópoles nesta segunda-feira (13). Essa verba indenizatória, que pode ser vendida em dinheiro, é paga integralmente, mesmo acima do teto constitucional de R$ 44 mil, sem descontos.

✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp

Dados obtidos via Lei de Acesso à Informação mostram que a Embrapa desembolsou R$ 78 milhões em licença especial de outubro de 2020 a setembro de 2024, uma média de R$ 25 milhões anuais. Cerca de 40% dos 7.556 empregados da empresa (2.985 pessoas) têm direito ao benefício, que pode ser convertido em dinheiro após 10 anos de serviço, com adicionais acumulados a cada cinco anos.

Entre os maiores beneficiados, o pesquisador Luiz Paulo de Carvalho recebeu R$ 958,7 mil em cinco parcelas, enquanto a pesquisadora Jurema Iara Campos obteve R$ 742 mil em um único pagamento durante sua rescisão contratual.

Por ser classificada como verba indenizatória, a licença especial não se enquadra no limite do teto constitucional, seguindo a mesma lógica de outros penduricalhos do funcionalismo público, como abonos pecuniários de férias e benefícios judiciais.

A Embrapa defende a legalidade do pagamento e afirma que “não há casos de empregados que recebam acima do teto constitucional”, atribuindo eventuais distorções a interpretações inadequadas sobre as verbas indenizatórias.

A prática segue tendência similar observada no Judiciário. Segundo a Transparência Brasil, 69% dos juízes brasileiros receberam entre R$ 100 mil e R$ 499 mil acima do teto constitucional em 2023, com tribunais estaduais pagando R$ 4,47 bilhões em remunerações extras no mesmo ano.

A situação expõe uma lacuna no controle de verbas indenizatórias, que muitas vezes resultam em pagamentos elevados e longe do escrutínio público.

Escreva seu e-mail para receber bastidores e notícias exclusivas

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

Publicidade