Carolina De Toni (PL) pautou para amanhã na Comissão de Constituição e Justiça a análise do projeto que concede perdão aos presos do 8 de janeiro. O relatório será apresentado por Rodrigo Valadares (União) e deve propor a anistia para condenados e investigados — neste caso, beneficiando também Jair Bolsonaro.
Ninguém admite oficialmente, mas a pauta deverá servir como barganha em troca do impeachment de Alexandre de Moraes, cujo pedido foi assinado por 150 parlamentares – deputados, inclusive – e apresentado há pouco ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco. Ou seja, se aprovada a anistia geral e irrestrita a todos, a oposição desistiria de cassar o mandato do ministro.
A amigos, Pacheco já disse que prefere enterrar sua carreira política a abrir um processo de impeachment contra ministros do Supremo — naturalmente, isso acabaria por enterrar a sua carreira como advogado, bem mais lucrativa. O mineiro já entendeu que não terá sucesso nas urnas e ficaria satisfeito com uma vaga de ministro do TCU, de onde poderia pular para o STF num futuro próximo.
No Senado, portanto, a situação estaria encaminhada nesses termos. Enquanto na Câmara, Arthur Lira contaria com o apoio geral da direita na eleição de seu sucessor, através do qual pretende continuar dando as cartas sobre pautas-bombas e emendas orçamentárias. Manter relevância é questão de sobrevivência para o alagoano, que quer disputar o Senado em 2026.
Por fim, o projeto da anistia deverá ser emendando com um artigo que tornaria sem efeito os inquéritos em curso. Moraes, então, os encerraria com a justificativa de perda de objeto, uma saída considerada ‘honrosa’ para o ministro. Ainda é cedo para saber se tudo sairá a contento, mas tal opção é considerada por muitos caciques como a mais viável para evitar uma deterioração institucional sem volta.
E você, concorda?
