Zanin autoriza investigação contra ministro do STJ por suspeita de venda de sentenças
Brasília, Quinta, 23 de julho de 2026
Justiça

Zanin autoriza investigação contra ministro do STJ por suspeita de venda de sentenças

Decisão permite à PF aprofundar apuração sobre Paulo Dias de Moura Ribeiro no âmbito da Operação Siamnes

Ministro Cristiano Zanin.
Foto: Fellipe Sampaio/STF

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Por Mariana Albuquerque

O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Polícia Federal a investigar o ministro Paulo Dias de Moura Ribeiro, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no inquérito que apura suspeitas de venda de sentenças.

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Esta é a primeira vez que um ministro do STJ passa a ser investigado diretamente desde o início da Operação Siamnes, deflagrada pela Polícia Federal em novembro de 2024. A decisão atendeu a um pedido da PF com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Segundo a Polícia Federal, há suspeitas relacionadas a decisões proferidas por Moura Ribeiro que poderiam ter beneficiado pessoas específicas. Os investigadores solicitaram acesso a informações bancárias de empresas, familiares do ministro e servidores para rastrear o fluxo financeiro.

No relatório enviado ao STF, a PF afirma:

“Vale esclarecer que não se está descartando a possibilidade de o esquema criminoso envolver servidores ou ate o próprio Ministro. O ponto é que, neste estágio inicial da investigação, ainda não há elementos suficientes para concluir se houve ou não participação dessas pessoas nos fatos apurados.”

O documento acrescenta:

“somente com novas diligências e o avanço das investigações será possível alcançar a clareza necessária para esse tipo de conclusão”.

A Polícia Federal também destaca:

“Nesse sentido, destacam-se as medidas voltadas à análise do fluxo financeiro, com o objetivo de identificar o caminho do dinheiro, compreender como ocorreu o pagamento de eventual vantagem indevida e verificar possíveis atos de lavagem de capitais”.

Zanin cita necessidade de novas diligências

Na decisão, proferida em maio, Cristiano Zanin afirmou que a abertura da investigação permitirá ampliar a apuração sobre eventual participação de servidores, agentes privados ou autoridades com foro no Supremo.

Segundo o ministro, as diligências poderão analisar “com acurácia” a ocorrência de eventuais crimes e verificar a necessidade das medidas já adotadas durante a investigação.

Zanin também ressaltou que os novos elementos deverão definir se o caso permanecerá sob competência do STF, em razão do foro do ministro do STJ.

PGR denunciou nove investigados

Em etapa paralela da investigação, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, denunciou nove investigados por organização criminosa, corrupção, lavagem de dinheiro, exploração de prestígio e violação de sigilo profissional.

Segundo a denúncia, a organização criminosa teria atuado entre 2019 e dezembro de 2023 em um esquema de venda de decisões judiciais no Superior Tribunal de Justiça.

Entre os denunciados estão o empresário e lobista Andreson de Oliveira Gonçalves, apontado pela PGR como o principal intermediador do grupo, os ex-servidores do STJ Márcio Toledo Pinto e Daimler Alberto de Campos, além de operadores financeiros e pessoas beneficiadas pelas decisões sob investigação.

A Procuradoria também afirma ter identificado um esquema de lavagem de dinheiro. De acordo com a acusação, uma empresa ligada ao lobista transferiu cerca de R$ 4 milhões para uma empresa da esposa de um dos ex-servidores entre 2021 e 2023.

Defesa de Moura Ribeiro

Por meio de nota encaminhada pelo STJ, Moura Ribeiro afirmou que desconhece a existência de investigação sobre decisões de sua autoria.

“O Ministro Moura Ribeiro desconhece a existência de investigação instaurada sobre decisões que tenha proferido. O servidor citado pelo jornal atuou como ‘assistente de plenário’ de 30/01/2019 a 16/06/2019, tendo antes trabalhado em outro gabinete, e foi exonerado da função após atuação irregular, a pedido do próprio Ministro.

Magistrado há mais de quatro décadas, o Ministro Moura Ribeiro tem trajetória honrada e enfatiza que são completamente improcedentes quaisquer tentativas de associá-lo a fatos criminosos”.

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