Nunes Marques: Combate à desinformação no TSE não busca 'uniformizar' debate político
Brasília, Sexta, 17 de julho de 2026
Justiça

Nunes Marques: Combate à desinformação no TSE não busca ‘uniformizar’ debate político

TSE cria "governança do pleito" com empresas de tecnologia para antecipar ameaças no ambiente digital

Nunes Marques toma posse hoje como presidente do TSE
Foto: Alejandro Zambrana/Secom/TSE

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Por Redação

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) firmou acordos com plataformas digitais e empresas de inteligência artificial para ampliar a cooperação no combate à desinformação nas eleições. A Corte anunciou ontem (16) que sete empresas assinaram memorandos de entendimento, enquanto companhias de IA aderiram ao Programa Permanente de Enfrentamento à Desinformação.

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Durante o encontro, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, afirmou que as plataformas devem adotar medidas preventivas contra redes de comportamento inautêntico, uso de robôs e conteúdos gerados por inteligência artificial. O magistrado destacou, porém, que a iniciativa não tem como objetivo restringir a liberdade de expressão nem “uniformizar o debate político”.

Os memorandos estabelecem medidas de cooperação entre o tribunal e cada empresa, considerando as características e áreas de atuação das plataformas. Segundo Nunes Marques, o objetivo é criar uma “governança do pleito” capaz de antecipar riscos e fortalecer a confiança no ambiente digital durante o processo eleitoral.

Assinaram os acordos com o TSE as plataformas Kwai, Telegram, Meta, TikTok, Google, X e LinkedIn. As empresas de inteligência artificial ElevenLabs, OpenAI e Anthropic aderiram ao Programa Permanente de Enfrentamento à Desinformação. A Microsoft também deve formalizar parceria com a Corte nos próximos dias.

O presidente do TSE afirmou que a cooperação entre a Justiça Eleitoral e as plataformas não representa transferência de responsabilidades ou eliminação de divergências.

No discurso, Nunes Marques disse que a parceria “não significa confundir papéis, afastar a fiscalização ou eliminar todas as eventuais divergências”. Segundo ele, “representa, em verdade, reunir competências para enfrentar riscos que nenhuma das partes conseguiria eliminar sozinha”.

O ministro afirmou que a atuação conjunta busca estabelecer procedimentos antecipados para lidar com ameaças ao processo eleitoral.

“O ponto focal da união que se pretende consolidar é criar uma governança do pleito que promova a antecipação de riscos, o aperfeiçoamento de procedimentos e o fortalecimento da confiança da sociedade no ambiente digital, antes e principalmente durante o processo eleitoral”, declarou Nunes Marques.

Segundo o presidente do TSE, conteúdos falsos ou manipulados podem alcançar grande número de pessoas rapidamente, enquanto a resposta institucional exige análise técnica e respeito aos procedimentos legais.

“Um conteúdo falso ou manipulado pode circular em poucos segundos e alcançar rapidamente diferentes redes e públicos”, afirmou o ministro, ao destacar que “a resposta institucional exige uma atividade analítica de identificação e atuação que observe, a um só tempo, o devido processo e a adoção de medidas tempestivas”.

Nunes Marques afirmou ainda que protocolos definidos previamente podem acelerar a reação das plataformas diante de tentativas de manipulação do processo eleitoral.

Na avaliação do ministro, a adoção de regras de atuação permitirá que “as plataformas adotem medidas operacionais com maior rapidez e eficácia contra a desnaturação do pleito promovida por agentes de desinformação”.

O presidente do TSE também respondeu a críticas sobre possível censura nas ações de combate à desinformação. “Esses esforços jamais terão por objetivo uniformizar o debate político, limitar a crítica ou estabelecer uma versão oficial sobre temas controvertidos. O que se busca é assegurar acesso a informações eleitorais confiáveis e reduzir a incidência de fraudes, falsificações, comportamentos inautênticos e outras práticas capazes de comprometer a liberdade de escolha”, disse.

Nunes Marques afirmou que as eleições de 2026 serão as primeiras realizadas após a popularização da inteligência artificial generativa e apontou a tecnologia como um dos principais desafios para o ambiente informacional.

Segundo o ministro, “somente com o estabelecimento de canais ágeis de comunicação, a capacitação das equipes, a adoção de medidas preventivas e o permanente intercâmbio de informações e conhecimentos será possível que esse desafio seja enfrentado a contento”.

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