Moraes manda PF ouvir Flávio em investigação
Brasília, Terça, 07 de julho de 2026
Justiça

Moraes manda PF ouvir Flávio em investigação por calúnia contra Lula

Ministro Alexandre de Moraes
Foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF

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Por Redação

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes determinou há pouco que a Polícia Federal (PF) ouça o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no prazo de 10 dias no inquérito que apura suposta calúnia contra Lula (PT).

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A decisão atende a um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), que quer ouvir o senador antes de decidir se apresenta denúncia ou pede o arquivamento da investigação.

O pedido foi assinado pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, após a PF enviar ao Supremo o relatório final do caso e Moraes pedir manifestação do órgão. No documento, a corporação concluiu que Flávio cometeu o crime de calúnia ao associar Lula a crimes como tráfico internacional de drogas e armas e lavagem de dinheiro.

Apesar da conclusão da PF, Gonet considerou necessária a oitiva do parlamentar. Segundo o procurador-geral, a diligência é relevante diante da possibilidade de retratação, prevista no Código Penal para os crimes de calúnia e difamação.

Pela legislação, o investigado pode ficar isento de pena caso se retrate antes da sentença. Quando a ofensa é divulgada por meio de comunicação, a retratação pode ocorrer no mesmo canal utilizado para a publicação original.

O inquérito foi concluído sem que Lula fosse ouvido pela PF e sem a realização de oitivas, perícias, produção de provas documentais ou outras diligências investigativas.

O delegado Antônio Carlos Knoll, responsável pela investigação, negou todos os pedidos de diligências apresentados pelos advogados de Flávio e encerrou o inquérito sem aguardar manifestação da PGR.

Segundo a defesa do senador, “em outras palavras, trata-se de um inquérito desprovido de atividade investigativa: um vazio probatório, um procedimento reduzido à capa e contracapa”. Os advogados afirmam ainda que as “diligências iriam demonstrar que o fato objeto da postagem não era falso, mas verdadeiro e, portanto, incompatível com a configuração do crime de calúnia”.

A investigação apura uma publicação feita por Flávio no X em 3 de janeiro de 2026, após a captura do então ditador socialista da Venezuela, Nicolás Maduro, pelos EUA. No post, o senador escreveu: “Lula será delatado. É o fim do Foro de São Paulo: tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a terroristas e ditaduras, eleições fraudadas”.

Para a PF, ao afirmar que Lula “será delatado” e, na sequência, supostamente relacioná-lo a uma série de crimes, Flávio atribuiu falsamente ao presidente a prática de condutas criminosas. O relatório da corporação também aponta que não há dúvidas sobre a autoria da publicação.

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