O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) questionou neste domingo (14) a autorização concedida pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para a ampliação das operações da Liquipar no Porto de Paranaguá (PR). A empresa é citada na Operação Carbono Oculto, que investiga um suposto esquema de fraudes tributárias e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis.
Em publicação nas redes sociais, o parlamentar relacionou a medida à classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) como organização terrorista pelos Estados Unidos, anunciada no fim de maio.
“Faz algumas semanas que os Estados Unidos passaram a tratar o PCC como organização terrorista. A designação saiu no fim de maio. O governo Lula brigou contra essa classificação por meses”, escreveu.
Na sequência, Flávio afirmou que, enquanto isso, um órgão federal teria tomado uma decisão favorável a uma empresa investigada na operação.
“Enquanto isso, no Brasil, uma agência federal fez o caminho contrário. A ANP autorizou a Liquipar a ampliar sua tancagem e seus dutos no Porto de Paranaguá”, declarou.
Segundo autorização publicada pela ANP há duas semanas, a Liquipar recebeu aval para ampliar a capacidade de armazenagem e a operação de dutos no Terminal Aquaviário de Paranaguá.
A empresa aparece na primeira fase da Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto de 2025. De acordo com as investigações do Ministério Público, a Liquipar teria atuado como braço logístico aquaviário de combustíveis ligado aos empresários Mohamed Mourad e Roberto Augusto da Silva, conhecido como Beto Louco. Ambos são apontados pelos investigadores como alvos da operação e permanecem foragidos. Recentemente, firmaram acordo de colaboração premiada com o Ministério Público da Bahia.
As apurações também indicam que a companhia seria controlada por Cleiton Santana, apontado pelos investigadores como integrante do grupo investigado por suposta sonegação fiscal.
Ao comentar a autorização concedida pela ANP, Flávio Bolsonaro cobrou esclarecimentos do governo federal.
“Uma empresa sob investigação por servir à facção ganhou mais capacidade de operação com autorização do governo federal. Quem autorizou? Com base em quê? O Brasil tem direito a uma resposta. E rápido”, afirmou.
A autorização da agência reguladora, contudo, é contestada pela própria empresa. Em nota divulgada após a repercussão do caso, a Liquipar afirmou que a publicação da ANP não representa uma nova expansão operacional nem flexibilização regulatória.
Segundo a companhia, o procedimento foi iniciado há mais de um ano e teve como objetivo atualizar registros técnicos e regulatórios após a transferência da titularidade da área arrendada. A empresa sustenta que os tanques já possuíam autorização para operar combustíveis das classes I, II e III antes de sua entrada no terminal e que a recente publicação apenas adequou a classificação dos dutos aos produtos já autorizados.
A Liquipar também declarou que todas as exigências técnicas e regulatórias foram cumpridas durante o processo e ressaltou que as investigações da Operação Carbono Oculto não autorizam conclusões sobre irregularidades praticadas pela companhia.
“A Liquipar permanece à disposição das autoridades competentes, colaborando integralmente com os procedimentos institucionais em curso e observando integralmente as normas legais e regulatórias aplicáveis às suas atividades”, informou a empresa.
Os advogados de Mohamed Mourad e Roberto Augusto da Silva também negaram qualquer ligação dos empresários com o PCC.
