A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou hoje (10) a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que cria regras de aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias. O texto segue agora para análise do plenário da Casa.
A proposta prevê aposentadoria integral com paridade, mecanismo que garante aos aposentados os mesmos reajustes salariais concedidos aos profissionais da ativa.
Segundo estimativa do Ministério da Previdência Social, o impacto fiscal da medida pode alcançar R$ 99 bilhões considerando União, estados, Distrito Federal e municípios.
O relator da matéria, senador Irajá (PSD-TO), manteve integralmente o texto aprovado pela Câmara dos Deputados em outubro do ano passado.
Pela proposta, agentes de saúde e de combate às endemias poderão se aposentar aos 57 anos, no caso das mulheres, e aos 60 anos, no caso dos homens, desde que comprovem 25 anos de contribuição e atuação efetiva na atividade.
Atualmente, após a reforma da Previdência, a idade mínima para aposentadoria é de 62 anos para mulheres e 65 anos para homens.
O texto também estabelece uma regra de transição. Para os profissionais que completarem 25 anos de contribuição até 31 de dezembro de 2030, a aposentadoria poderá ocorrer aos 50 anos para mulheres e 52 anos para homens.
A partir desse período, a idade mínima será elevada gradualmente a cada cinco anos, até alcançar, em 2041, os limites permanentes de 57 anos para mulheres e 60 anos para homens.
Outra modalidade prevista é a aposentadoria por idade para mulheres com 60 anos e homens com 63 anos, desde que tenham pelo menos 15 anos de contribuição e dez anos de exercício na atividade.
A PEC também determina que sejam contabilizados para aposentadoria períodos exercidos em mandato classista e situações em que o profissional tenha sido readaptado em outra função por acidente de trabalho, doença ocupacional ou enfermidade relacionada à atividade profissional.
Além das mudanças previdenciárias, o texto proíbe a contratação temporária ou terceirizada desses profissionais, exceto em situações de emergência em saúde pública.
A proposta ainda estabelece que trabalhadores terceirizados aprovados em processo seletivo público sejam transformados automaticamente em servidores públicos após a promulgação da emenda. Estados e municípios terão até 31 de dezembro de 2028 para adequar seus quadros às novas regras.
A Confederação Nacional de Municípios (CNM) calcula impacto de aproximadamente R$ 69 bilhões apenas sobre os regimes previdenciários das prefeituras.
A aprovação da PEC ocorreu um dia após reunião entre o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para discutir propostas consideradas de elevado impacto fiscal.
Entre os temas apresentados pela equipe econômica estavam a PEC dos agentes de saúde, projetos de renegociação de dívidas rurais, propostas de criação de pisos salariais para categorias profissionais e medidas que ampliam transferências da União para municípios.
Após a reunião, Alcolumbre chamou atenção para o volume de propostas com potencial de ampliar despesas públicas.
“Temos aqui, que já tramitaram na Câmara dos Deputados e que estão tramitando no Senado Federal, 30 projetos, entre proposta de emenda constitucional e projeto de lei, relacionados a piso salarial e remuneração”, afirmou.
O presidente do Senado também questionou os impactos fiscais dessas iniciativas.
“No ano de eleição, isso aqui é muito complexo, porque o que eu botar para votar, todo mundo vai votar sim por conta da eleição, e vai ter que arrumar dez brasis para pagar. E aí fica sendo eu o culpado que não quer dar um piso para o médico. O Brasil comporta isso? O Brasil vai resistir? As finanças públicas vão resistir?”, declarou.
Apesar da aprovação na CCJ e da quebra de interstício para acelerar a tramitação, interlocutores de Alcolumbre afirmam que a PEC não deve ser pautada no plenário do Senado ainda nesta semana.
