O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin, alvo de um pedido de impedimento protocolado nesta terça-feira (25) pela defesa de Jair Bolsonaro, já acionou o ex-presidente na Justiça pelos mesmos fatos usados agora pela Procuradoria-Geral da República (PGR) para denunciá-lo. Em 2022, Zanin entrou com uma notícia-crime no Ministério Público Federal e uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra Bolsonaro, com base nos mesmos episódios que agora sustentam a acusação de tentativa de golpe.
O pedido de impedimento também inclui o ministro Flávio Dino. A estratégia da defesa de Bolsonaro é afastar ambos do julgamento do ex-presidente na Primeira Turma do STF.
Zanin, ex-advogado pessoal de Lula, foi indicado ao STF pelo petista após atuar diretamente em sua campanha presidencial de 2022. Ele se desligou das ações contra Bolsonaro em junho de 2023, após assumir a cadeira no Supremo. No entanto, seguiu sendo um dos nomes envolvidos na perseguição judicial ao ex-presidente. Seu escritório recebeu R$ 1,2 milhão da campanha de Lula em 2022, pagos com recursos do Fundo Eleitoral.
Ao lado de outros advogados ligados ao PT, Zanin assinou oito ações contra Bolsonaro no TSE, todas com o objetivo de torná-lo inelegível por oito anos. O TSE impôs essa pena ao ex-presidente em processos movidos por outras siglas, mas as iniciativas da coligação petista também buscavam o mesmo desfecho.
Uma dessas ações foi protocolada em 8 de dezembro de 2022, antes da diplomacão de Lula. Nela, Zanin pedia a condenação de Bolsonaro por supostos ataques ao sistema eletrônico de votação e pela manifestação com embaixadores no Palácio da Alvorada. Alegava ainda que os bloqueios da PRF no Nordeste e os protestos contra o resultado eleitoral configuravam abuso de poder.
Esses mesmos fatos foram usados por Paulo Gonet, indicado por Lula para a PGR, na recente denúncia contra Bolsonaro. Segundo Gonet, “a narrativa falsa das fraudes nas urnas foi alimentada pelos integrantes da organização, que repassavam material desse tipo para influenciadores digitais”. O procurador alega que a mobilização popular buscava sensibilizar as Forças Armadas a impor um regime de exceção.