“Não há vencedores em uma guerra comercial. Ir contra o mundo só levará ao auto-isolamento”, afirmou o presidente chinês, Xi Jinping, em tom desafiador, nesta sexta-feira (11), ao comentar as sanções impostas pelos Estados Unidos.
Foi a primeira manifestação pública do líder comunista sobre a guerra comercial com Washington, iniciada por Donald Trump ainda em seu primeiro mandato. Em resposta às sobretaxas norte-americanas, Pequim anunciou que vai elevar suas tarifas contra produtos dos EUA para até 125%.
“Não temos medo de qualquer repressão injusta”, disse Xi durante encontro com o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, em Pequim. A fala foi exibida pela emissora estatal CCTV e teve tom de recado direto a Trump.
Na quarta-feira (9), o republicano anunciou uma suspensão temporária de 90 dias nas tarifas acima de 10% sobre diversos países, mas excluiu a China da trégua. Segundo o presidente norte-americano, o regime chinês “mostrou falta de respeito ao mercado mundial”.
Em reação imediata, Trump ampliou a taxação sobre as importações vindas da China, elevando o total para 145%. A resposta chinesa veio no mesmo nível: 125% de tarifas sobre produtos dos EUA.
Xi aproveitou para destacar a força interna do país: “Por mais de 70 anos, o desenvolvimento da China tem se baseado na autoconfiança e no trabalho árduo – nunca em doação de terceiros”. Segundo ele, a China seguirá focada “em administrar bem os seus próprios assuntos”, apesar das pressões externas.
Xi também citou o presidente da república, Lula em crítica ao “unilateralismo e isolacionismo”.
“Há não muito tempo, fui coautor de um artigo com o presidente brasileiro Lula e o sul-africano Ramaphosa para apoiar o multilateralismo, a salvaguarda do bem comum de toda a humanidade”, afirmou o líder chinês.
