Alvo da nova fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira (18), o senador Jaques Wagner (PT-BA) afirmou que nunca recebeu dinheiro do Banco Master e atribuiu ao empresário Augusto Ferreira Lima os episódios que hoje estão sob investigação das autoridades.
Em entrevista à BandNews TV após a operação, o líder do governo no Senado minimizou sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, e disse que os contatos entre ambos foram esporádicos.
“Minha relação com Daniel Vorcaro é praticamente zero. Eu estive com ele duas vezes. Uma quando ele se apresentou como sócio do Augusto Lima e outra quando o Augusto me pediu uma indicação para a área jurídica do banco”, declarou.
Segundo a Polícia Federal, Wagner é investigado por suposto recebimento de vantagens econômicas que teriam sido operacionalizadas por Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro e também alvo da operação. A investigação cita repasses a empresas ligadas ao núcleo familiar do senador, o uso de aeronaves privadas, ingressos para eventos no exterior e a negociação de um apartamento de alto padrão em Salvador.
Senador diz que apartamento seria comprado com recursos próprios
Um dos principais pontos da investigação envolve um imóvel avaliado em cerca de R$ 2,5 milhões no bairro Horto Florestal, em Salvador. Para a PF, o apartamento pode ter sido utilizado como forma de benefício indevido ao parlamentar.
Wagner, no entanto, apresentou uma versão diferente. Segundo ele, Augusto Lima teria atuado apenas como investidor temporário na aquisição do imóvel.
“Eu tinha interesse de ajudar minha filha a comprar aquele apartamento. Como o Augusto Lima é investidor, eu disse a ele: ‘Você pode comprar e depois eu recompro’. O imóvel ainda está em construção e eu precisaria vender outro apartamento para complementar o pagamento”, afirmou.
O senador também contestou a interpretação dada pela PF a uma mensagem enviada por Augusto Lima durante negociações envolvendo o Banco Master. Em um dos diálogos analisados pelos investigadores, o empresário escreveu que Wagner “mais do que ninguém sabe da minha história e faz parte disso”.
Para o parlamentar, a frase se refere apenas à trajetória empresarial de Augusto.
“Eu conheço a história dele. Ele começou trabalhando com crédito consignado e depois entrou em outros negócios. Não há nada além disso”, disse.
Dólares e euros apreendidos
Durante o cumprimento dos mandados de busca, agentes da Polícia Federal encontraram valores em espécie, incluindo dólares e euros, em endereços ligados ao senador.
Wagner reconheceu que os recursos lhe pertencem e afirmou que a origem do dinheiro pode ser facilmente comprovada.
“Estou absolutamente tranquilo. Nunca recebi dinheiro de ninguém, muito menos do Master ou do Augusto Lima”, declarou.
Segundo ele, parte dos valores corresponde a diárias recebidas do Senado para viagens internacionais realizadas ao longo dos últimos anos. O parlamentar afirmou ainda que costuma adquirir moeda estrangeira por meio do Banco do Brasil antes de compromissos no exterior.
“De 2019 para cá, recebi aproximadamente 70 mil dólares em diárias de viagens internacionais. Os envelopes encontrados, inclusive, tinham identificação do Senado Federal”, afirmou.
