Um apartamento de alto padrão em Salvador tornou-se um dos principais elementos da nova fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira (18) pela Polícia Federal (PF). Segundo a investigação, o imóvel, avaliado em aproximadamente R$ 2,5 milhões, teria sido destinado ao senador Jaques Wagner (PT-BA) por integrantes do núcleo ligado ao Banco Master.
A apuração foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e tem como foco suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e favorecimento político envolvendo o banco controlado por Daniel Vorcaro.
De acordo com documentos da PF, as tratativas sobre o imóvel envolveram o empresário Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Vorcaro e apontado pelos investigadores como um dos principais operadores do esquema. Os autos indicam que Wagner encaminhou a Lima informações sobre uma unidade específica do empreendimento Poème Horto, localizado no bairro Horto Florestal, uma das regiões mais valorizadas da capital baiana.
Em uma das mensagens reproduzidas pela investigação, o senador informa: “a unidade é a 1702, e o preço é 2,45 mi”. Na sequência, segundo a PF, Augusto Ferreira Lima repassou as informações para Valério Marega, identificado como operador financeiro ligado ao grupo investigado.
Os investigadores destacam que as conversas sobre a aquisição do imóvel continuaram mesmo após o início das primeiras fases da Operação Compliance Zero, fato considerado relevante para a apuração.
Condomínio reúne estrutura de alto padrão
O apartamento citado pela Polícia Federal faz parte de um empreendimento residencial de luxo com previsão de entrega para este ano. O condomínio oferece unidades amplas, com até quatro suítes, hall privativo e vagas de garagem exclusivas.
O complexo conta ainda com uma série de áreas de lazer voltadas ao público de alta renda, incluindo quadra de tênis, piscina com raia, academia, spa aquecido, espaço para massagens, salão de jogos, áreas para animais de estimação e sistema de segurança reforçado.
Localizado no Horto Florestal, bairro considerado um dos mais valorizados de Salvador, o empreendimento também divulga diferenciais ligados à sustentabilidade, como reaproveitamento de água da chuva, equipamentos de economia energética e infraestrutura preparada para carregamento de veículos elétricos.
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Supostas vantagens recebidas
O apartamento integra um conjunto de benefícios que estariam sendo analisados pela Polícia Federal. A investigação também menciona repasses financeiros para empresas ligadas ao núcleo familiar de Jaques Wagner, uso de aeronaves privadas e fornecimento de ingressos para eventos internacionais.
Segundo a decisão que autorizou a operação, a PF identificou elementos que apontariam para o recebimento de vantagens econômicas pelo senador, direta ou indiretamente, por meio de familiares, pessoas próximas e empresas associadas ao grupo investigado.
A corporação apura ainda se houve contrapartidas políticas em favor de interesses do Banco Master no Congresso Nacional, incluindo discussões relacionadas à ampliação da cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), proposta que ficou conhecida nos bastidores como “Emenda Master”.
Defesa nega irregularidades
Jaques Wagner nega qualquer participação em irregularidades. Após a operação, o senador afirmou que jamais atuou para beneficiar o Banco Master e contestou as conclusões da investigação.
Em manifestações anteriores, o parlamentar declarou que “não tem conhecimento de nenhuma investigação” relacionada à sua atuação e sustentou que nunca participou de intermediações ou negociações em favor da instituição financeira.






