O senador Jaques Wagner (PT-BA) afirmou nesta quinta-feira (18) que não acredita em mudanças em sua posição como líder do governo no Senado após ter sido alvo da nova fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal (PF). Segundo o parlamentar, o presidente Lula (PT) entrou em contato para manifestar solidariedade e reafirmar confiança em sua atuação.
Em entrevista à BandNews TV, Wagner relatou que recebeu uma ligação do chefe do Executivo poucas horas após a deflagração da operação.
“O presidente Lula ligou para mim para se solidarizar e dizer que mantém absoluta confiança. A gente se conhece há 48 anos e ele sabe o meu jeito de agir”, afirmou.
Questionado sobre a possibilidade de ser substituído na liderança do governo, o senador disse considerar improvável qualquer mudança.
“Eu acho muito difícil que ele mexa na minha posição pela relação que a gente tem e pela confiança que ele tem em mim”, declarou.
Candidatura mantida
Wagner também garantiu que continuará com os planos de disputar a reeleição ao Senado. Segundo ele, a investigação não altera seus projetos políticos para 2026.
O parlamentar lembrou que já enfrentou situação semelhante durante a campanha eleitoral de 2018, quando foi alvo de busca e apreensão em outra investigação e, ainda assim, disputou o pleito.
“Eu mantive minha candidatura e fui o senador mais bem votado da história da Bahia”, disse.
Investigação apura relação com Banco Master
A nona fase da Operação Compliance Zero foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e possíveis irregularidades envolvendo agentes públicos e pessoas ligadas ao Banco Master.
Segundo a Polícia Federal, há indícios de que Wagner possa ter sido beneficiário de vantagens econômicas supostamente concedidas por integrantes do grupo investigado. Entre os fatos apurados estão a negociação de um apartamento de alto padrão em Salvador, repasses financeiros para empresas ligadas ao núcleo familiar do senador e sua atuação em pautas consideradas de interesse do banco.
O parlamentar nega qualquer irregularidade e sustenta que jamais recebeu recursos do Banco Master ou atuou para favorecer a instituição financeira.
“Fique firme. Essa é uma tentativa de desestabilizar você, mas conte com a minha confiança”, relatou Wagner ao reproduzir o teor da conversa que teria tido com Lula.
O senador também afirmou respeitar a decisão judicial que autorizou a operação, embora tenha observado que outros investigados citados nas apurações não foram submetidos às mesmas medidas cautelares.
