O vereador de São Paulo Senival Pereira de Moura (PT) foi preso na Operação Última Parada, deflagrada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) hoje (25). Ele é apontado como uma das figuras centrais de um suposto esquema de lavagem de dinheiro do PCC.
De acordo com as investigações, a empresa Transunião Transportes S.A. teria sido utilizada para ocultar patrimônio e movimentar recursos da facção criminosa. A nova fase da operação foi conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic).
Em seu sexto mandato na Câmara Municipal de São Paulo, Senival ocupa os cargos de primeiro-secretário da Mesa Diretora e presidente da Comissão de Trânsito, Transporte e Atividade Econômica. Segundo os investigadores, sua trajetória política está ligada ao setor de transporte coletivo desde o período de regularização dos antigos “perueiros”, no início dos anos 2000.
As apurações apontam que a relação de Senival com o transporte de passageiros começou ainda na década de 1970, quando operava linhas clandestinas entre os bairros de Guaianases e Itaim Paulista utilizando veículos Kombi.
O parlamentar já era alvo de investigações relacionadas à Transunião. Em 2022, foi citado em apuração sobre a morte de Adauto Soares Jorge, ex-diretor financeiro da empresa. Na ocasião, a Polícia Civil prendeu dois suspeitos e apreendeu 13 ônibus da companhia. O vereador negou as acusações e afirmou estar à disposição da Justiça.
Segundo o Ministério Público, a investigação teve origem no assassinato de Adauto, morto a tiros em março de 2020, na Zona Leste da capital. Os investigadores afirmam que ele atuava como “testa de ferro” de Senival na direção da Transunião, empresa que, segundo a apuração, era utilizada para lavar recursos do PCC.
Os autos indicam que Adauto teria desviado recursos da empresa para abastecer um suposto caixa dois da campanha de reeleição de Senival em 2020. O Ministério Público sustenta que a descoberta do desvio levou à realização de um “debate” promovido pela facção, que resultou na ordem para sua execução.
Na nova operação, mensagens extraídas de celulares apreendidos colocam novamente o vereador no centro das investigações. De acordo com os investigadores, pagamentos informais e repasses de grandes quantias dependiam de sua autorização. Nas conversas, Senival era identificado pelos apelidos de “presidente”, “véio”, “velhinho” e “vereador”.
Planilhas apreendidas também apontam o parlamentar como “cooperado oficial” de pelo menos 13 ônibus da frota da Transunião. Segundo a investigação, os veículos estavam registrados em nome de terceiros ou da empresa, mas os rendimentos seriam destinados ao vereador.
As investigações ainda apontam que familiares e pessoas de confiança teriam sido utilizados para ocultar patrimônio. Entre os citados estão a esposa, Maria de Lourdes Andrade de Moura, os filhos Ítalo e Vitor Andrade de Moura, o irmão Rubens Pereira de Moura, além do assessor parlamentar Adão Lino dos Santos e do motorista Devanil Sousa Nascimento, conhecido como “Sapo”.
Relatórios de inteligência financeira indicam que Senival movimentou cerca de R$ 4,39 milhões entre 2019 e 2022. Segundo os investigadores, haveria uma diferença superior a R$ 2,4 milhões entre as movimentações financeiras e os rendimentos oficialmente declarados. Os autos também mencionam um apartamento na Vila Madalena e uma propriedade rural em Extrema (MG).
Os documentos do Ministério Público afirmam que, após a descoberta dos supostos desvios, tanto Adauto quanto Senival teriam sido “condenados à morte” pelo PCC no chamado “tribunal do crime”. Segundo a investigação, o vereador teria sido poupado por sua influência política e capacidade financeira de ressarcir parte dos valores. Em contrapartida, teria concordado com a execução de Adauto.
As conclusões apresentadas pelo Ministério Público e pela Polícia Civil representam a linha de investigação das autoridades e ainda serão submetidas ao contraditório e à ampla defesa durante o processo judicial.
O g1 informou que buscava contato com a defesa de Senival Moura. Em 2022, o vereador declarou que era inocente, afirmou ter sido surpreendido pela operação policial e disse que permanecia à disposição da Justiça.
