Jaques Wagner admite relação com ex-sócio do Master 
Brasília, Sexta, 26 de junho de 2026
Política

Jaques Wagner admite relação com ex-sócio do Master 

Senador afirma que investigação tenta construir uma narrativa contra o PT

Jaques Wagner falou em 'leviandade' antes de ser alvo da PF no caso Master
Foto: Reprodução/X

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Por Redação

O senador Jaques Wagner (PT-BA) afirmou para a Folha que reclamou ao Lula da forma como a Polícia Federal conduziu a operação que o atingiu na investigação sobre o Banco Master. O parlamentar classificou como uma “patacoada” a divulgação da fotografia das moedas estrangeiras apreendidas durante a busca realizada em seu apartamento funcional, um dia após deixar a liderança do governo no Senado.

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Segundo Wagner, a divulgação da imagem contrariou a determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou que a diligência fosse realizada de forma discreta.

“Para que aquela patacoada de dinheiro em cima da cama com o escudo da PF? Esse processo era comum na Lava Jato. Se a Polícia Federal vai continuar nesse tipo de espetacularização, acho que o chefe da Polícia Federal tem que tomar conta”, afirmou.

O senador disse ter levado a reclamação diretamente ao presidente Lula e afirmou que não busca proteção política, mas questiona a condução da investigação.

“Estão tentando fazer uma narrativa para botar no meu colo algo que não existe. Não quero proteção, quero correção”, declarou.

Durante a entrevista, Wagner reconheceu que mantém relação com o empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, mas negou qualquer vínculo comercial ou troca de favores envolvendo o Banco Master.

“Tenho relação com uma porção de gente. Aí o cara diz para mim: ‘terça-feira eu estou indo para Brasília, quer ir de carona?’ Eu vou, qual o problema? Fica-se criminalizando qualquer tipo de relacionamento. Óbvio que de vez em quando eu pego carona. O que a Polícia Federal tem que comprovar, e não vai, é a relação de troca.”

Questionado sobre a suspeita de favorecimento por meio de ingressos para um show da cantora Taylor Swift, o senador minimizou o episódio e afirmou que os bilhetes foram destinados à neta, que mora nos Estados Unidos.

“Dois ingressos para um show nos Estados Unidos, favorecimento pessoal? É meio ridículo isso. […] Estão achando que ele me comprou porque arrumou dois ingressos. Eu poderia pedir coisa mais importante, né?” afirmou.

Sobre a investigação da Polícia Federal, o senador afirmou que a corporação tenta construir uma tese que, segundo ele, não será comprovada.

“Construíram uma tese. Acham que a empresa foi construída para me servir e vão correr atrás de provar essa tese. Não vão provar”, declarou.

Ao comentar a relação com Augusto Lima, Wagner afirmou que o conheceu durante o processo de privatização da Cesta do Povo, na Bahia, e voltou a negar qualquer benefício pessoal.

“Conheci Augusto Lima no processo de privatização. Criou-se uma relação. Desconheço um prefeito ou um governador que não converse com empresários. Óbvio que conversei com Augusto Lima.”

O senador também negou ter utilizado aeronaves colocadas exclusivamente à sua disposição pelo empresário, embora tenha admitido ter aceitado caronas em voos particulares.

“Carona de Brasília para Salvador ou daqui para lá devo ter pegado. Agora, como se fosse viagens que ele botou o avião à minha disposição, desconheço.”

Ao justificar sua saída da liderança do governo, o senador afirmou que a decisão foi tomada após conversa com Lula para que pudesse concentrar esforços na própria defesa.

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